Agentes de endemias e agentes comunitários de saúde da Prefeitura de Paulista, da Região Metropolitana do Recife, realizam hoje uma inspeção nas casas do bairro de Arthur Lundgren I. A ação tem como objetivo combater os criadouros do Aedes aegypti, transmissor da dengue, chikungunya e zika vírus. O imóvel que estiver livre do mosquito vai receber um adesivo com a frase “Esta casa combate o Aedes”.
Depois de intensificar o trabalho dos agentes de endemia, receber ajuda do Exército e dos Bombeiros e investir até em aplicativos para celular, a mais nova arma no combate ao Aedes aegypti é o orgulho cidadão. Imóveis da cidade do Paulista, na Região Metropolitana do Recife, estão recebendo o selo de qualidade na prevenção dos focos. A ideia é estimular o controle do vetor da dengue, zika e chikungunya dentro das comunidades, a partir do reconhecimento dos esforços. A princípio, serão distribuídos cerca de 50 mil selos.
Os adesivos são colocados no muro da frente dos imóveis, visível aos pedestres, depois que a equipe de agentes de endemia e agentes comunitários de saúde visitam a casa e comprovam o cuidado dos moradores. Essa foi também uma forma encontrada pelo município para evitar a distribuição de panfletos, que acabam se tornando lixo e às vezes ajudando a formar novos criadouros. Assim como de reduzir as recusas e imóveis fechados. Paulista teve uma recusa média de 25% nas visitas realizadas neste mês pelos agentes, ou seja, das 21,5 mil casas visitadas, eles não puderam entrar em 5,4 mil. Neste mês, uma lei que permite a entrada de chaveiros diante de residências e terrenos fechados foi aprovada na cidade.
Paulista tem neste ano 821 casos de dengue notificados, com 11 confirmados; 128 casos de chikungunya notificados, dos quais 11 confirmados; além de 37 registros de microcefalia, dos quais 14 confirmados – todos por associação com o zika vírus. Os bairros mais precários no indíce de infestação são Janga, em função da quantidade de casas de veraneio, Jardim Paulista Baixo, onde existe uma UPA, e Paratibe, considerado um bairro de grande extensão. O último LIRAa (índice de infestação pelo mosquito) da cidade foi considerado de médio risco.
O primeiro dia de distribuição dos selos teve saldo positivo. O bairro de Maranguape 1 foi escolhido para o início das atividades. Das cerca de 150 casas visitadas, 80% delas receberam aprovação dos agentes. Uma delas foi a da dona de casa Verônica Barbosa, 60. “É um orgulho, uma prova de que tudo está em ordem. Nossa rua é bem unida, tanto para a realização de festas quanto para o cuidado com o Aedes. A vizinha cobra, eu digo deixa comigo. Uma prova é de que aqui quase ninguém ficou doente”.
Duas casas depois, o aposentado da indústria petroquímica Roberto Barbosa, 66, também recebeu o selo com satisfação. “A gente se preocupa por causa da idade, né, pois sabemos que a doença pode se agravar.” Teve gente pediu aos agentes para receber o adesivo, mas há critério. Se larvas e ovos forem encontrados, o imóvel terá que esperar pelo menos 15 dias para uma nova inspeção. Quem recebeu o selo também precisa ficar atento. Em 45 dias, os agentes fazem nova visita.
Fonte: Diario de Pernambuco



