Juiz manda alunos desocupar reitoria

UFPE Contrário ao que chama de privatização do Hospital das Clínicas, grupo ocupa o prédio da Federal desde a última segunda e tem até a noite de hoje para sair do local

A Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) conseguiu, por meio de decisão judicial, ordem de reintegração de posse da reitoria, ocupada por estudantes desde a última segunda-feira. O grupo, que se diz “contra o autoritarismo da reitoria e a privatização do Hospital das Clínicas”, conforme página no Facebook, tem até hoje à noite para sair do local. A Polícia Federal deverá ser acionada, caso os manifestantes descumpram a medida.

Ontem, às 20h, após a decisão expedida pelo juiz Henrique Amazonas, da 3ª Vara da Justiça Federal, eles permaneciam instalados no prédio da instituição, onde prometeram passar a noite. A solicitação foi feita pela Procuradoria Regional Federal.

Ao tentar contato com os estudantes, o Jornal do Commercio foi hostilizado. Eles se negaram a falar com a imprensa e ameaçaram chamar um grupo para reprimir a atuação da equipe. Os manifestantes pediram para olhar o nome dos profissionais, em seus crachás, e tiraram fotos deles, para guardar a identidade.

Os estudantes estão no prédio desde que o Conselho Universitário decidiu aderir a um novo modelo de gestão do Hospital das Clínicas, passando a diretoria da unidade para a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), estatal ligada ao Ministério da Educação. A decisão já foi comunicada pela UFPE ao órgão do governo federal. Ainda não há data para assinatura do contrato.

Segundo a assessoria de comunicação da universidade, o encontro que deve oficializar a adesão à Ebserh não deve demorar muito. Já o processo de transição da gestão do HC deve se estender por até um ano. Depois de contratar a Ebserh, será preciso estabelecer novo plano diretor da instituição para que a empresa tenha total controle do hospital. A primeira mudança deve ocorrer no quadro de pessoal.

A expectativa é que, logo depois de fechado o contrato, seja realizado concurso público para 929 profissionais de diversas áreas, entre médicos e engenheiros. Os concursados devem assumir seus postos em até seis meses após o início da gestão da Ebserh.

QUEIXAS

Com isso, o HC espera abrir novos serviços e ampliar o número de leitos para melhorar o atendimento e acabar com velhas queixas dos pacientes. Dona Francisca Maria dos Santos, 58, por exemplo, reclama da demora para conseguir consulta. “Para proctologista, só entregam quatro fichas na quarta-feira. Há duas semanas tento marcar, mas não consigo. Por isso, hoje vou dormir aqui para ser a primeira da fila amanhã”, admitiu a dona de casa que mora em Sairé e saiu da cidade às 3h30.

Pela manhã, os manifestantes fecharam a porta principal do prédio e colaram cartazes com dizeres como “Fora Ebserh”, “Quero ser ouvido” e “Saúde não se vende”. Antes da decisão judicial, os jovens fizeram assembleia para decidir os rumos da manifestação. O reitor Anísio Brasileiro chegou a ser convidado para a reunião, mas não compareceu porque não aceitou entrar na área ocupada.

Fonte: Jornal do Commercio

 

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