Laboratório tem cheque a receber da Real Saúde

Depois de o Sindicato dos Hospitais (Sindihospe) divulgar que quatro serviços de pediatria deixariam de aceitar o plano Real Saúde e a diretora geral da empresa ter informado que a operadora não teria dívidas vencidas no mercado, o dono da rede de laboratórios Boris Berenstein resolveu divulgar que recebeu cheques pré-datados sem fundos da empresa. “Eu não posso ficar calado diante da informação de que está tudo bem com esse plano. Eu tenho R$ 200 mil em cheques emitidos que bateram e voltaram”, revelou Berenstein.

Segundo ele, a sua maior preocupação é ver o mesmo quadro da Ideal Saúde se repetir e não fazer nada. Assim como a Ideal (que deixou de operar este ano), a Real Saúde está sob direção técnica da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e está sem poder comercializar novos planos. Com relação aos dados econômico-financeiros registrados na ANS, Boris diz que fica preocupado com a prática da empresa, muito parecida com a que faliu. “Os cheques estão voltando, mas na contabilidade deles a dívida está paga”, destaca. “Enquanto isso, os clientes estão pagando suas mensalidades e podem não encontrar o serviço”, criticou.

A rede de Boris Berenstein deixou de receber clientes da Real Saúde há quatro meses, sendo que há oito meses o laboratório reduziu as cotas de recebimentos de beneficiários do plano e há 12 passou a ter dificuldades de recebimento pelos serviços prestados. “Trabalhávamos com a Real Saúde há 10 anos. Sempre tivemos dificuldades com eles, mas isso faz parte do negócio. As coisas pioraram um ano atrás”, relembra.

 

Para a diretora da Real Saúde, Maristela Dantas, a atitude de Boris Berenstein, de procurar a imprensa para falar de débitos, é uma retaliação do empresário pelo fato de a operadora ter descredenciado o laboratório de sua rede de atendimento. “Descredenciamos esse laboratório, mas credenciamos outro, o Qualimagem”, disse a executiva. Segundo ela, a sua empresa não passou cheques sem-fundos. “O que aconteceu é que ele depositou o pagamento acordado antes da data, dia 18 quando o acertado era o dia 20. Por isso não tínhamos essa provisão no dia”, justificou.

 

A diretora também nega que tenha R$ 200 mil em dívidas com o Boris Berenstein. Segundo ela, a Real Saúde deve R$ 32.222,02 que deveriam ter sido pagos no dia 20, mas o laboratório depositou o cheque no dia 18 e voltou, e mais R$ 50.679,15 que vai vencer no dia 20 de janeiro. “Com essa quitação acordada, a Operadora Real Saúde não deve mais nada à Clínica Boris Berenstein”, diz a diretora.

 

Sobre a preocupação de Boris com relação aos usuários do plano, a ANS diz que a direção técnica imposta ao plano serve para “diagnosticar sua verdadeira situação e preservar o atendimento aos beneficiários”. Caso seja verificada a incapacidade operacional, será providenciada a saída da operadora do mercado de forma ordenada. “Qualquer reclamação quanto à recusa de atendimento deve ser encaminhada aos canais de atendimento da Agência: Disque ANS (0800-701- 9656) ou Central de Atendimento ao Consumidor no portal da Agência (www.ans.gov.br).”

Fonte: Jornal do Commercio

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