Lei seca alivia emergências

Com as blitzes, número de acidentados atendidos no Getúlio Vargas caiu 60% em relação a 2010. No HR, a redução foi de 25%

A Operação Lei Seca, intensificada desde o dia 1º de dezembro, depois de passar a ter um formato diferente e com a Secretaria Estadual de Saúde à frente das ações, apresentou resultados considerados bastante satisfatórios no primeiro mês de funcionamento. Tomando como base os atendimentos de acidentados nas emergências dos Hospitais Getúlio Vargas (HGV) e Restauração (HR), as duas maiores do Estado, observou-se uma redução de 60% e 25% respectivamente em relação ao mesmo período do ano anterior.

Em dezembro do ano passado, o Getúlio Vargas, no bairro do Cordeiro, Zona Oeste do Recife, atendeu, em sua emergência, 117 pacientes. No mesmo período de 2010, foram 294. São 177 pacientes a menos. O diretor do HGV, o cirurgião-geral Roberto Cruz, não tem dúvida de que a queda nos índices de atendimento está ligada diretamente ao incremento no número de barreiras policiais nas principais vias do Grande Recife. “Sem dúvida, podemos associar essa queda a uma maior fiscalização da direção sob o efeito de álcool. Tivemos, com isso, um período de Natal e ano-novo bem mais tranquilo em nossa emergência, o que resulta também em um melhor atendimento aos pacientes que estão internados”, explicou.

No Hospital da Restauração, a maior emergência de Pernambuco, levantamento oficial da SES apontou a entrada de 151 pacientes a menos, o que significa uma redução de 25%. Nos 31 dias de dezembro de 2011, foram assistidos 455 pacientes vítimas de acidentes de trânsito, em colisões envolvendo motos, carros, bicicletas e animais atingidos por veículos. No mesmo período de 2010, houve 606 atendimentos. “A associação entre álcool e direção é bombástica, podendo levar a acidentes de trânsito. E, em geral, vale ressaltar, esses acidentes em que o condutor estava alcoolizado são os mais graves e com maior potencial ofensivo à saúde do motorista e também de terceiros. Percebemos essa redução, mas é possível conseguirmos alcançar uma queda ainda maior, não só devido à importante ação da Operação Lei Seca, mas à direção responsável por parte de toda a população”, analisou o diretor do HR, o cirurgião-geral Miguel Arcanjo.

O coordenador da Operação Lei Seca, o major da Polícia Militar de Pernambuco André Cavalcanti, informou, na tarde de ontem, que os dados são animadores. “Todos que fazem parte da Operação Lei Seca estavam bastante ansiosos com esses primeiros resultados. Ficamos animados porque é um atestado de que estamos trilhando o caminho correto. A nossa principal motivação é salvar vidas. E, nesse primeiro mês, conseguimos alcançar o objetivo. Somando os dois hospitais de maior complexidade do Estado, são 328 que deixaram de ser internados.”

ABORDAGENS

A Operação Lei Seca abordou, do dia 1º de dezembro até o último domingo, um total de 27.257 veículos. Devido às irregularidades encontradas, 2.034 motoristas foram multados. Os policiais realizaram 27.481 testes de alcoolemia, entre motoristas que estavam e os que foram ao local retirar o veículo. Deste total, 205 apresentaram até 0,33 grama de álcool por litro de sangue. Este grupo teve a carteira recolhida, foi multado e liberado após a chegada de condutores aptos. Outros 74 motoristas apresentaram teor alcoólico acima do permitido pela lei. Todos foram autuados e encaminhados para a delegacia.

Sertão vai ter blitzes a partir deste mês

Após os resultados significativos alcançados na Região Metropolitana do Recife, o coordenador da Operação Lei Seca, André Cavalcanti, comunicou que, ainda este mês, as blitzes, com o mesmo formato, vão ser levadas ao Sertão do Estado. Inicialmente, durante uma semana, as barreiras vão ser montadas nos municípios de Trindade, Ouricuri e Araripina.

“Vamos levar a estas cidades ações educativas também. Estamos seguindo o mesmo modelo que foi adotado aqui. As blitzes vão ser montadas tanto nas rodovias estaduais quanto dentro das cidades. Temos verificado um aumento de acidentes no interior”, avaliou.

Ele informou que, para levar as ações ao interior do Estado, vai ser preciso deslocar uma equipe que vem atuando no Grande Recife. O coordenador explicou que a Secretaria Estadual de Saúde está montando um esquema especial para funcionar durante o Carnaval.

“Nós contamos com 12 equipes para realizar a operação de domingo a domingo. Devido às escalas, conseguimos colocar em funcionamento seis blitzes de maneira simultânea. No Carnaval, precisamos mexer nas escalas para aumentar o número de equipes nas ruas. É a mesma coisa que a PM faz para ampliar o efetivo”, garantiu.

André Cavalcanti comentou que o número de motoristas que se recusam a fazer o teste do bafômetro está diminuindo. Durante as abordagens realizadas no primeiro mês, de um total de mais de 27 mil motoristas parados, 1.065 condutores se recusaram a fazer o teste do bafômetro. Todos tiveram a carteira apreendida e aplicação de multa. O veículo só foi liberado após a apresentação de um condutor habilitado, que teve que se submeter ao teste.

Desde o dia 1º de dezembro, toda blitz é, obrigatoriamente, comandada por um oficial da Polícia Militar e ainda conta com quatro funcionários da Secretaria Estadual de Saúde. A iniciativa visa barrar a chamada carteirada. “Esta prática, infelizmente, ainda existe, no entanto, percebemos que é cada vez menor.”

Outro foco das novas blitzes são as motocicletas. O coordenador-executivo do Comitê de Prevenção aos Acidentes de Moto em Pernambuco, João Veiga, informou que a Operação Lei Seca foi pensada pelo grupo. “Identificamos, durante levantamento realizado no Hospital da Restauração, que 77% dos acidentados de moto não possuem carteira de habilitação. Por isso, o foco é esse. Se fiscalizamos, vamos conseguir trazer esse pessoal para a legalidade.”

Segundo dados do Corpo de Bombeiros, todos os dias ocorrem, em média, 15 acidentes envolvendo motociclistas na Região Metropolitana.

LEGISLAÇÃO

De acordo com a legislação federal, dirigir sob a influência de álcool, em nível superior a seis decigramas por litro de sangue, ou de qualquer substância entorpecente ou que determine dependência física ou psíquica, é crime. A infração é considerada gravíssima e o motorista ganha sete pontos na carteira. Além do recolhimento, quem for pego na lei seca paga uma multa de R$ 957.

Fonte: Cremepe

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