Um dia após a manifestação realizada por residentes de medicina, enfermagem e nutrição, exigindo investimento estadual no Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc), a mobilização se volta para a reunião do Conselho de Administração do Complexo Hospitalar da Universidade de Pernambuco e o fim do prazo dado pela Justiça Federal ao Estado para o reabastecimento da unidade de saúde. O encontro está previsto para as 14h de hoje, na reitoria, e os residentes esperam a presença dos secretários de Ciência e Tecnologia, Saúde e Administração, na tentativa de definir medidas urgentes. Embora a direção do hospital alegue que tomou medidas administrativas “para repor estoques e respeitar prazos legais”, internações permanecem restritas e doentes têm voltado para casa sem quimioterapia.
“Queremos atenção do Estado ao hospital centenário, além de respeito à população, aos residentes e estudantes da graduação”, disse Marcus Villander, da Associação Pernambucana de Médicos Residentes. Ele e cerca de 200 profissionais em especialização nos hospitais da UPE (Huoc, Cisam e Procape) fizeram um ato na porta do Oswaldo Cruz e depois seguiram em passeata pelas ruas do Centro. Pararam em frente à Assembleia Legislativa, onde criticaram a omissão dos deputados, e terminaram o manifesto no Palácio do Campo das Princesas. Ao secretário-executivo da Casa Civil, Marcelo Canuto, entregaram uma carta listando 31 problemas do Huoc e reivindicaram a presença dos secretários no Conselho do Complexo Hospitalar, que têm assento regular mas nem sempre comparecem, optando por enviar representantes.
Desde o início do mês, o Huoc suspendeu quimioterapias, cirurgias e internamento. A direção do hospital pediu R$ 20 milhões ao Estado e a liberação, pela Secretaria Estadual de Saúde, de R$ 12 milhões federais, verba do Sistema Único de Saúde. Dos recursos do SUS, R$ 4,9 milhões foram liberados na última sexta-feira. Com dinheiro do próprio orçamento, remanejado de outras áreas, o Huoc comprou medicamentos, que estão sendo entregues. No Centro de Oncologia, 60% do estoque foi reposto, mas insuficiente para além de um mês. No setor de doenças infecciosas, dos 32 leitos, apenas três estão ocupados porque não há antibióticos. O deputado Edilson Silva (PSOL), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa, vai propor uma audiência pública e sugerir que o Estado use verba da publicidade para socorrer os hospitais.
Fonte: Jornal do Commercio



