A funcionária pública Lígia Vieira costuma ir à farmácia uma vez por mês e, além de remédios, também compra cosméticos. Não tem o hábito de consultar o farmacêutico e só compra medicamentos com receita médica, utilizando a pesquisa de preços como fator decisório na hora de escolher a farmácia. Com esse perfil de consumo, Lígia representa a média do consumidor das farmácias do Recife.
Um levantamento realizado pelo Datafolha e pelo Instituto de Pós-Graduação para Farmacêuticos (ICTQ) em 12 capitais brasileiras tentou traçar um perfil do consumo em farmácias e definir também a importância e a identificação da figura do farmacêutico na orientação de quem utiliza os serviços.
“A grande maioria das vendas realizadas nas farmácias, além dos medicamentos, é impulsionada pela decisão feminina. Se antigamente as farmácias eram locais de comercialização apenas de remédios, a modernização do espaço e a necessidade de se manter como empresa fez elas evoluírem para a venda de outros produtos, a exemplo dos cosméticos e dos produtos de higiene”, diz Marcus Vinícius Andrade, diretor-executivo do ICTQ.
A variedade de produtos comercializados nos estabelecimentos identificados como farmácias varia bastante em cada estado do país. Enquanto no Mato Grosso do Sul, segundo Andrade, é possível a venda de alimentos, em estados como a Paraíba, por exemplo, só é permitida a venda de medicamentos. “Essa questão faz variar também o tipo de consumo que é realizado nas farmácias. Mas algo que a pesquisa constatou é que a venda de outros itens tem relação com a comodidade de realizar a compra no mesmo ambiente”, completa Marcus Vinícius.
É o que acontece com o analista de sistemas Thales de Oliveira. Com um filho de 10 meses, as idas à farmácia aumentaram e nestas ocasiões, ele e a esposa também aproveitam para comprar produtos de higiene. “É a questão da oportunidade. Já que estamos na farmácia, aproveitamos para levar outras coisas. Pelo menos uma vez por semana frequentamos alguma farmácia”, conta.
Tanto Thales quanto Lígia dizem que não se automedicam e só compram remédios com receita. Mas enquanto ele não consegue distinguir exatamente quem são os balconistas e quem é o farmacêutico responsável, Lígia afirma reconhecer o profissional, apesar de não consultá-lo.
“É algo que ainda confunde os consumidores, pois os balconistas e o farmacêutico estão de branco. Mas a presença do profissional é exigida por lei e muito importante, inclusive para orientar sobre os medicamentos e evitar a automedicação”, completa Andrade.
Perfil de consumo
em farmácias no Recife
Frequência:
Compra mensalmente – 32%
Compra semanalmente – 26%
Compra quinzenalmente – 26%
Critérios de escolha:
Preço – 78%
Localização – 60%
Atendimento – 34%
Que produtos chamam mais atenção:
Medicamentos ou remédios – 60%
Cosméticos ou produtos de beleza – 23%
Alimentos – 16%
O que costuma comprar:
Medicamentos ou remédios – 59%
Produtos de higiene pessoal – 40%
Cosméticos ou produtos de beleza – 21%
Presença do farmacêutico:
Importante para a farmácia – 79%
Importante para a saúde – 68%
Fonte: Datafolha/ICTQ – Instituto de Pós Graduação para Farmacêuticos
Fonte: Diario de Pernambuco



