Livro defende medicina mais humanística

A origem da medicina tem uma forte relação com a tradição da filosofia. Pelo menos é isso que o professor José Benjamim Gomes garante em seu novo livro, Ética e medicina: de Hipócrates à criação dos primeiros hospitais (R$ 59).

Professor da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade de Pernambuco (FCM-UPE), o autor diz que pensou em fazer o livro para ressaltar a necessidade de uma visão interdisciplinar da medicina. “É uma demanda dos currículos hoje em dia”, aponta Benjamim. As faculdades da área, segundo ele, deixaram de lado seu “elitismo”, abandonando a preocupação exclusiva com as especialidades e focando-se em formar profissionais com uma visão mais abrangente do ofício.

Para atender essa necessidade, o professor se dedicou a escrever o livro, que já foi lançado em São Paulo, Belo Horizonte e Ouro Preto. “Não existe em língua portuguesa uma obra assim, voltada para estudar a história da medicina com ênfase na interdisciplinaridade”, destaca. Responsável por aulas do eixo humanístico da FCM e professor de bioética no mestrado da instituição, Benjamim buscou trazer as reflexões da filosofia e das ciências humanas para a área.

Nas mais de 200 páginas da obra, ele aborda o trajeto das ciências médicas desde antes do surgimento dos hospitais, que só surgiram depois da influência do pensamento cristão, principalmente de pensadores que conheciam a língua grega, no século 4. Voltadas primeiro para tratar dos remediados e pobres, só a partir do século 18 passaram a ser um lugar de cura e aprendizagem.

Essa racionalização trouxe efeitos também negativos para a medicina. “Hoje, não se olha para o paciente, mas para os exames dele”, argumenta Benjamim. Para ele, a vacina também é um exemplo: apesar deter salvado muitas pessoas, gerou doenças para diversos nativos da América Latina, na época da colonização espanhola.

Para o autor, é importante que se volte a ter uma visão abrangente dos pacientes, fornecendo para os estudantes de medicina uma formação crítica, cidadã, moral e solidária. “O homem precisa ser visto não de forma de fragmentada, que é o grande risco do pensamento das especialidades médicas, mas na sua dimensão holística”, explica. “Não devemos ensinar filosofia nos cursos de medicina, mas sim formar nossos futuros médicos à luz das ciências humanas e sociais”.

Da Assessoria de Comunicação do Cremepe.
Fonte: Jornal do Commercio.

 

 

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