Lixão hospitalar

Mirandiba – A segunda etapa da caravana Cremepe/Simepe nesta segunda-feira (22/08) foi a Mirandiba, que tem cerca 14 mil habitantes. Saindo da cidade e seguindo pela BR-425 no sentido Carnaubeira da Penha, a cidade de Mirandiba, que fica a 476 quilômetros do Recife, alimenta um verdadeiro lixão hospitalar. Misturados com lixo comum, dejetos e recicláveis, o município despeja todo o resíduo hospitalar da cidade no lixão. Ao chegarmos ao local, dois homens que catavam lixo e incineravam dejetos correram por medo ou para evitar falar sobre o assunto.

No local é possível se encontrar seringas descartáveis, tubos de ensaio e de coleta, além de medicamentos vencidos. O fato é confirmado por diversos profissionais de saúde da Unidade Mista Ana Alves de Carvalho, o hospital municipal. Eles afirmam que o lixo contaminante é misturado ao lixo comum e levado ao lixão, onde é jogado, sem o menor tratamento, colocando em sério risco a vida de catadores, que violam os sacos plásticos, desconhecendo tratar-se de seringas e outros objetos contaminados com sangue humano e outros resíduos.

A Unidade Mista é outro retrato do descaso das autoridades municipais com a saúde da população. De acordo com a Dra. Polyanna Neves, médica fiscal do Cremepe, o hospital não tem rotina de funcionamento, a equipe é completamente sem treinamento, não há médicos diariamente na unidade nem especialidades. Os filhos de Mirandiba deixaram de nascer na cidade, que tem uma média de apenas sete partos por mês, feitos únicamente por parteiras. Os pesquisadores apuraram que os PSFs são desterritorializados por causa de influências políticas e as metas não são alcançadas, principalmente na citologia. Apesar desses problemas, Dra. Maria Alécio, médica fiscal do Cremepe, destaca aspectos positivos do PSF, como uma agenda organizada de procedimentos e a presença de profissionais nas mais diversas especialidades.

Outra grave denúncia refere-se ao transporte escolar que, de acordo com denúncias reveladas no debate, é utilizado para transportar doentes e até para o tráfico de drogas. A população se queixa de que o policiamento local não resolve os problemas de segurança da cidade, por conivência com ações criminosas. Algumas dessas ações ficam encobertas em festinhas que facilitam programas entre casais, promovidas nos finais de semana em balneários ou clubes privados onde mulheres não pagam e em que é livre a venda de bebidas, inclusive para menores.

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