A falta de leitos suficientes e equipe técnica disponível para atendimento em emergências de unidades públicas de saúde levou a mais um óbito em Pernambuco. O caso aconteceu no Imip, na madrugada de ontem. A dona de casa Eliete dos Santos Silva, 34 anos, saiu da cidade onde mora, Itapissuma, a 45 km de distância do Recife, em trabalho de parto para ter o segundo filho. Ao chegar, precisou enfrentar uma lista de atendimentos mais urgentes. Passou cerca de cinco horas esperando entre a triagem obstetrícia do Imip e a realização do parto. Depois desse tempo, recebeu a notícia de que seu bebê, que se chamaria Damares Vitória, já estava morta. O coração havia parado de bater antes do parto.
A dona de casa foi encaminhada ao Recife pela Central de Regulação de Leitos. Segundo a irmã dela, Eliane Santos, 36, ela saiu de casa por volta das 19h, depois de ter ido pela segunda vez no dia a uma unidade de saúde de Itapissuma. “De manhã, ela sentiu algumas dores e foi para um hospital em Itapissuma. Fizeram alguns exames e ela voltou para casa. À noite, com fortes dores, voltou ao hospital. Estava com ma pressão alta. Então, decidiram encaminhar ela ao Imip”. A peregrinação da família, afirmou, começou neste momento. Segundo a família, Eliete chegou ao Imip por volta das 21h. E, mesmo reclamando de dor, só teria sido atendida após às 2h da madrugada.
Em nota, o Imip informou que avisou à Central de Regulação de Leitos a impossiblidade de atender Eliete devido à quantidade de outros casos de urgência que já tinham. Como não havia leitos em outras maternidades públicas, ela acabou sendo levada ao Imip, onde deu entrada por volta das 21h43. “Foram realizados os exames clínicos de fezes, de ultrassonografia, ausculta fetal e exame de toque para verificar a dilatação”, descreveu o comunicado. A morte foi atestada às 2h, durante a reavaliação na triagem. “Nos disseram que o bebê tinha inalado fezes. Mas foi negligência. Ninguém cuidou da minha esposa. Vou brigar por justiça para não acontecer com outras crianças. Se deixar para lá, muitos outros pais ainda vão sentir a dor que estou sentindo agora”, afirmou o pescador Alexandre Silva, 32 anos.
Fonte: Diario de Pernambuco



