Mães de crianças com microcefalia denunciam falta de assistência no Grande Recife

Ao todo, 42 crianças famílias reclamam da ausência de alimentos, transporte, atendimento médico e educação especial no município de Jaboatão dos Guararapes.

Mães de crianças com microcefalia denunciam falta de assistência por parte da prefeitura de Jaboatão dos Guararapes, no Grande Recife. Para sobreviver e se desenvolver, as crianças precisam do apoio da cidade e do estado, mas não têm recebido o devido suporte da gestão municipal, de acordo com as mães delas.

Ao todo, 42 famílias que moram em Jaboatão dos Guararapes reclamam de dificuldades para cuidar das crianças. As mães afirmam que faltam alimentos, transporte, atendimento médico e educação para os pequenos.

As famílias se uniram na União de Mães de Anjos (UMA), que agrega 409 crianças com sequelas da infecção provocada pelo vírus da zika, uma das doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti. Neste mês de março, elas foram ao Ministério Público de Pernambuco (MPPE) para pedir apoio e fazer a denúncia.

Mãe de Giovana, Germane Maia reclama de dificuldades no transporte das crianças até a assistência necessária. “O transporte é apenas uma van, que não é adaptada para levar as mães e as crianças. A gente tem dificuldade com o horário, porque saímos de manhã e voltamos de noite, porque a van tem que fazer todo o percurso para levar todas as mães. Além disso, não podemos levar a cadeira de rodas, que é essencial”, diz.

Para Ketuly Gomes, mãe de Lucas, os suplementos alimentares são a principal reivindicação. “O leite não chega, eles não têm previsão. E é um alimento que é necessário na vida de Lucas, por ele só se alimentar por isso. É uma qualidade de vida para ele, porque ele já tem a desnutrição e, se não tomar, vai ficar com mais dificuldades em questão do peso”, afirma.

Mãe de João Miguel, Geisyelle Brandão conta que falta atendimento médico especializado para as crianças. “O principal problema é a demora no atendimento, porque, se é a cada 15 dias, se algum terapeuta, um profissional, não vai por algum problema de saúde, por causa de um feriado, o atendimento passa a ser uma vez por mês ou mesmo a cada 45 dias”, declara.

Fundadora da UMA, Germana Soares fez da luta por um atendimento especializado para as crianças com microcefalia seu principal objetivo. Mãe de Guilherme, ela reclama da falta de atendimento especializado para a educação das crianças e diz que apenas duas crianças estão frequentando a escola, incluindo seu filho.

“Não há previsão para as crianças estudarem, devido à falta de uma creche, que está sendo construída. Os dois que estão estudando são cuidados por estagiários, que não têm nenhum preparo para crianças com deficiência. Não há professores especializados na educação especial. As aulas começaram com as outras crianças normalmente e os nossos filhos, mais uma vez, estão em casa, alimentando esse ciclo vicioso que deficiente tem que ficar em casa”, diz.

Ainda de acordo com Germana, a ida ao MPPE tem o objetivo de fazer um apelo ao poder público por um melhor tratamento às crianças e suas famílias.

“É um grito de socorro, porque a gente já tentou várias reuniões, mas nada foi feito. Tentamos reuniões com o prefeito, mas ele é totalmente inacessível. Já entregamos os ofícios nas mãos da gestão. A antiga secretária de Saúde não nos recebia. São pessoas que trabalham para o povo, mas não estão disponíveis para o povo. Isso nos causa uma revolta muito grande porque nos sentimos num estado de invisibilidade”, conta.

Respostas
Com relação à falta de creches e profissionais especializados, a Secretaria de Educação de Jaboatão dos Guararapes afirma que sete mães procuraram a prefeitura e que está providenciando local e professores auxiliares para atender as crianças.

Sobre o complemento alimentar, a Secretaria de Saúde do município informa que houve um problema judicial na licitação e que o caso está sendo resolvido. A pasta também afirma que houve um crescimento na procura pela Policlínica da Criança e do Adolescente e a unidade de saúde está sendo adequada para reduzir o tempo de atendimento às crianças.

Sobre o transporte, a prefeitura informa que os veículos são adaptados e atendem as mães e as crianças em horários programados. A reportagem também entrou em contato com o MPPE e aguarda resposta.

Dados de 2019
Segundo a Secretaria Estadual de Saúde (SES), de janeiro a março de 2019, foram notificados 20 casos de crianças que nasceram com a síndrome congênita do vírus da zika em Pernambuco. Desses, um caso foi confirmado no estado.

Fonte: G1

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