O Ministério da Educação decidiu impor mais rigor às escolas de medicina do país. A decisão vem depois de série de denúncias dando conta da fragilidade na formação dos futuros profissionais que vão lidar com o bem maior do ser humano, a vida. O monitoramento, antes mais rigoroso nas instituições flagrantes e comprovadas por testes, será estendido, in loco, a todas as faculdades. Finalmente, sairá do papel medida prevista em lei, e deverá ocorrer a cada dois anos do período de graduação. Hoje, entre estabelecimentos públicos (federais e estaduais) e privados de ensino superior, país conta com 257 faculdades de medicina.
Assim como na saúde, a medida é preventiva. Detectados os problemas, a instituição será alertada para corrigi-los. O intuito é evitar que o nódulo cresça, comprometa os semestres seguintes e, ao fim, o mercado receba profissionais com formação deficiente. As faculdades terão que se adaptar às mudanças. Para cada vaga do curso de medicina, serão necessárias duas de residência. De acordo com o ministro Renato Janine Ribeiro, as mudanças são estratégicas. A criação de mais cursos de medicina é meta estruturante do Mais Médicos. O programa prevê, até 2017, mais 11,5 mil vagas de de graduação e 12,4 mil de residência médica, com ênfase na atenção básica e em outras áreas prioritária do Sistema Único de Saúde (SUS).
As intenções do governo podem ser nobres, porém elevar a oferta de profissionais poderá não ser suficiente para garantir atendimento digno à população. O mesmo rigor dedicado à formação deve se estender às redes públicas (hospitais e clínicas), grande parte sucateada, produto do descaso e da má gestão. Para bem cuidar da saúde dos brasileiros, as ações do governo têm que combinar ensino de qualidade e meios para a boa práticas da medicina com monitoramente da aplicação dos recursos públicos destinados ao setor. Esses elementos são indissociáveis e da harmonia deles dependerá a mudança no perfil dos serviços de saúde no país.
Fonte: Diario de Pernambuco



