Uma pesquisa apresentada ontem no SOS Corpo revelou que apenas 7,9% das mulheres atendidas nas unidades de saúde do Recife vítimas de complicações de um aborto recebem a prescrição de contraceptivos e orientações sobre onde obtê-los. O índice é considerado baixíssimo e indica que a continuidade da atenção iniciada no hospital precisa ser melhorada para evitar a volta da mulher para a unidade pelos mesmos motivos. O documento Qualidade da atenção ao aborto no Sistema Único de Saúde do Nordeste Brasileiro: o que dizem as mulheres? ouviu a opinião de 2.804 mulheres em 19 serviços de saúde do Recife, Salvador e São Luís.
A continuidade da atenção à mulher após o aborto foi avaliada sob mais quatro aspectos: cuidados pós-alta, consulta de revisão, planejamento familiar e orientação sobre risco de gravidez imediata. No Recife, a orientação sobre os cuidados que a paciente deve ter após a saída do hospital obteve o melhor índice, com 51,7% das mulheres afirmando que receberam algum tipo de informação sobre o assunto.
Outro dado que chamou a atenção dos pesquisadores se refere a informações sobre planejamento familiar. No Recife, apenas 25,6% do público feminino receberam dicas sobre o assunto.
Sandra Valongueiro, uma das pesquisadoras, apontou que o atendimento às vítimas de complicações no aborto precisa ser também um momento de orientação para as mulheres. “O serviço de saúde é o melhor lugar para a mulher receber informações para evitar uma gravidez indesejada ou mesmo orientações sobre uma gravidez planejada”, analisa. O estudo está inserido na pesquisa GravSus-NE, onde estão envolvidas as universidades federais da Bahia, Maranhão e Pernambuco.
Apesar dos resultados, as mulheres comemoram o atendimento recebido, segundo Sandra Valongueiro. “Trata-se do que chamamos de viéis da gratidão, quando o simples fato de serem atendidas já é suficiente diante de uma situação tão complicada”, analisa a pesquisadora.
Fonte: Diario de Pernambuco



