A dona de casa Graziele Maria da Silva, 18 anos, veio de Bonito, a 137 quilômetros do Recife, para dar à luz no Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros (Cisam/UPE). Segundo os médicos, ela não tinha a dilatação necessária para um parto normal, mas em sua cidade não há infraestrutura para a realização de cesáreas. No interior e em cidades da Região Metropolitana, faltam recursos para partos de alto risco. Um projeto anunciado pelo governador Eduardo Campos, no entanto, promete mudar essa situação. Serão construídas duas maternidades de alto risco, uma em Jaboatão dos Guararapes e outra em Caruaru. Também serão requalificadas quatros unidades no Agreste e no Sertão. O projeto faz parte do Plano de Investimento em Assistência Obstétrica de Alto Risco e busca descentralizar os serviços de obstetrícia em Pernambuco, dentro de dois anos.
Atualmente, há no estado 225 leitos de alto risco em obstetrícia, distribuídos em seis unidades, sendo cinco no Recife e uma em Petrolina. Os dois novos centros – a Maternidade Metropolitana Sul de Alto Risco, em Jaboatão, e o Hospital da Mulher, em Caruaru – reunirão mais 250 leitos, sendo 99 normais e 141 entre alto risco e UTI. Em Olinda, a Maternidade Brites de Albuquerque será transformada na Maternidade Metropolitana Norte de Alto Risco. O Hospital João Murilo, em Vitória de Santo Antão, se transformará em maternidade de alto risco, assim como o Hospital Professor Agamenon Magalhães, em Serra Talhada. O hospital Dom Malian, em Petrolina, também será ampliado. O investimento total é de R$ 78 milhões. Segundo o secretário estadual de Saúde, Antônio Carlos Figueira, o processo está em licitação e as obras deverão começar em julho. “Temos que desafogar as maternidades. A notícia foi dada hoje (ontem) como presente as mães pernambucanas”, afirmou.
A gestante Graziele esperou duas horas na ambulância para ser atendida na UTI do Hospital das Clínicas, que estava superlotada. Ela foi encaminhada ao Cisam, onde teve parto normal. “Queria ter tido meu filho na minha cidade. Meu parto acabou sendo normal. Poderia ter sido lá”, reclamou.
As grávidas que vêm de fora ocupam cerca de 60% dos 104 leitos do Cisam. Priscila Onorato, 22, vive em Olinda e julga ser um “absurdo” a falta de uma unidade de alto risco na cidade. Os filhos delas nasceram recifenses por conta da falta de hospitais especializados fora da capital.
Segundo a diretora da unidade, Fátima Maia, os pacientes de outras cidades superlotam a maternidade. “Mais da metade dos nossos leitos são ocupados por pessoas de fora do Recife. Dessas, 40% são de Olinda”, afirmou.
Fonte: Diario de Pernambuco



