Mais um plano de saúde sofre a intervenção da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) em Pernambuco. Diante dos graves problemas assistenciais e administrativos comprovados pelas queixas de usuários, a diretoria colegiada da ANS decidiu decretar ontem o regime especial de direção técnica da operadora América Saúde, cujo nome fantasia é Vip Saúde. Com uma carteira de 19.523 beneficiários, a empresa sinalizava dificuldades financeiras desde o ano passado, provocando o desabastecimento dos serviços.
Em nota, a ANS informou que só após receber o relatório do diretor técnico sobre a situação da empresa serão definidas as medidas para tirar a operadora da crise. O regime de direção técnica não tem prazo para acabar. Até ser concluído, a empresa terá de garantir a assistência aos seus usuários. Vale lembrar que em janeiro a América Saúde obteve a pontuação 48,5 no Índice de Reclamação da ANS, escala que mede a satisfação do usuário. Quanto mais alto o índice, significa que a empresa foi mais reclamada.
Há pouco mais de um mês, a ANS anunciou a portabilidade extraordinária – mudança de plano sem cumprir novas carências – para os usuários das operadoras Real Saúde e Meridional Recife. As duas empresas apresentavam os mesmos problemas da América Saúde. Na época, os usuários da América já reclamavam das dificuldades de atendimento. Em outubro do ano passado, a agência decretou a liquidação extrajudicial da Ideal Saúde.
Para a coordenadora jurídica da Aduseps, Carla Guerra, as medidas anunciadas pela ANS estão defasadas. “A ANS deveria pular a etapa da direção técnica e adotar a portabilidade especial da carteira para não prejudicar os usuários.” Segundo Karla, a cada dia cresce o número de queixas dos clientes da América Saúde por falta de assistência médica.
“Um tsunami no mercado”. Assim reagiu o presidente regional da Abramge, Flávio Wanderley. “Espera-se que o governo flexibilize algumas situações, que vão desde as renúncias tributárias na área de saúde à adoção da subsegmentação de produtos regionais. Se este modelo não mudar, é um tsunami que vai pegar todas as pequenas e médias operadoras.” (Rosa Falcão)
Fonte: Diario de Pernambuco



