CAMPINAS (SP) – A Secretaria de Saúde de Campinas, no interior de São Paulo, anuncia hoje oficialmente a conclusão de exames realizados em mais de mil crianças nascidas entre janeiro e junho de 2012, em uma das alas do Hospital e Maternidade Madre Theodora, que tiveram contato direto ou indireto com uma técnica em enfermagem com tuberculose. Os resultados apontam que pelo menos 107 bebês foram contaminados – incluindo os três primeiros recém-nascidos identificados na rede pública com a doença, que desencadearam as investigações. Esse é o segundo caso de um surto de tuberculose em maternidade com registro na literatura médica. O primeiro ocorreu na Itália, em 2004.
Do total de recém-nascidos contaminados com o bacilo de Koch em Campinas, 17 desenvolveram a tuberculose e os outros 90 estão infectados, mas a doença não se manifestou – casos chamados de infecção latente. Nos dois casos, as crianças são tratadas com antibióticos, por seis meses.
A Secretaria de Saúde e o Hospital e Maternidade Madre Theodora devem anunciar hoje que ainda há outros 13 casos em investigação, que podem elevar para 120 o total de crianças contaminadas. Pelo menos 1.050 bebês passaram por exames, desde setembro, quando começou a triagem. A estimativa era que 1.300 seriam analisados.
“A lição que se tira de um caso raro como esse é a importância da exigência de exames periódicos de profissionais de saúde em hospitais, para que se evitem infecções como a que ocorreu”, afirma a coordenadora de tuberculose da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia, Eliana Dias Matos.
Ela explica que quem foi contaminado, mas não teve a doença, precisa de tratamento também, porque a tuberculose pode se manifestar algum dia. A doença é infecciosa e tem cura. Em recém-nascidos, tanto o diagnóstico como o tratamento são mais difíceis. Transmitida pelo bacilo de Koch, ela é conhecida por afetar principalmente os pulmões, mas também pode atingir outros órgãos. Bebês não são transmissores da bactéria.
Fonte: Jornal do Commercio



