Maternidades superlotadas

SAÚDE PÚBLICA Cremepe revela que a falta de vagas é o principal problema do Imip, Barão de Lucena e Agamenon Magalhães

Na tentativa de conscientizar a população de que são os problemas estruturais do SUS que afugentam os médicos e ainda não receberam tratamento correto da União e de demais gestores, o Conselho Regional de Medicina (Cremepe) divulgou, ontem, a situação caótica de três grandes maternidades, referência para o Estado.O conselho encontrou lotação duas vezes maior que a capacidade, falta de privacidade, parturientes e recém-nascidos em corredores, carência de equipamentos e danos na estrutura física nos serviços obstétricos dos Hospitais Barão de Lucena e Agamenon Magalhães, da rede estadual, e Imip, filantrópico conveniado ao sistema único.

Todos os três são destinados à gestação de alto risco. “Estamos reforçando que faltam condições de trabalho”, disse Helena Carneiro Leão, presidente do Cremepe. Segundo ela, a denúncia mais uma vez será levada ao Ministério Público. “Já mostramos esse cenário em outras ocasiões, mas continua se repetindo.”

Na Unidade de Cuidados Intermediários do Barão de Lucena, onde deveriam estar 16 bebês, no máximo, equipe do Cremepe encontrou na semana passada 27. No Imip, a sala de pré-parto tem condições de abrigar 14 mulheres, mas estava com 34 no dia em que foi visitado por fiscais do conselho. Também faltavam desfibrilador, ultra-som portátil, incubadoras, monitores. No Agamenon Magalhães a sala de recuperação pós-anestésica não tinha plantonista. Em enfermarias que deveriam ter três pacientes havia cinco.

“Fala-se de alocação de médicos, mas o problema é mais amplo. Há risco de infecção e morte de mulheres e crianças”, enfatizou Roberto Tenório, dirigente do Cremepe responsável pela fiscalização. As críticas encontram respaldo na reclamação de usuários. “Minha mulher, Íris Santos, grávida de 9 meses, em estado grave, foi transferida de Gravatá (Agreste) ao Barão de Lucena na quarta passada. Só 27 horas e meia depois fizeram um ultra-som. O bebê pode ter morrido por causa dessa demora em fazer o parto”, questiona Jandilson Ramos.

A Secretaria Estadual de Saúde alega que a ampliação e reestruturação do atendimento materno infantil tem sido prioridade, com investimento de R$ 81 milhões até 2014. Reconhece a grande demanda no Barão e no HAM, que têm escalas completas e passam por reformas físicas. Alega que há várias maternidades municipais fechadas por dificuldade das prefeituras em preencher vagas para médicos plantonistas.

Fonte: Jornal do Commercio

Compartilhe:

Deixe um comentário

Fique por dentro

Notícias relacionadas