Médico defende que gestantes atendidas na rede pública façam quatro ultrassonografias

O coordenador de Medicina Fetal do Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros (Cisam), Pedro Pires, defende que as gestantes atendidas na rede pública de saúde se submetam a uma quarta ultrassonografia, caso haja dúvida quanto ao diagnóstico de microcefalia no bebê. Em geral, essas mulheres fazem até três exames durante o pré-natal.

Por enquanto, não há um padrão a ser seguido pelos médicos. Isso só deve acontecer quando sair o protocolo de atendimento às grávidas que está sendo formulado pela Secretaria de Saúde de Pernambuco. A expectativa é de que a normativa, que deveria ter sido apresentada em 13 de novembro, seja divulgada nos próximos dias.

“A demora de sair esse protocolo está atrapalhando, deixando muitos colegas sem respostas. É importante que haja uma padronização para que todos falem a mesma linguagem”, diz Pedro Pires. “Na maioria das vezes, as grávidas só começam o pré-natal depois de passado o período ideal para realizar a primeira ultrassonografia (entre a 11ª e a 14ª semana de gestação)”, observa o médico, que também é professor da Universidade de Pernambuco (UPE).

Ele diz que diante do atual cenário da doença no Estado é fundamental que o intervalo entre os exames seja rigorosamente cumprido – recomenda-se que o segundo ultrassom ocorra entre a 20ª e a 24ª semana e o terceiro, entre a 28ª e a 32ª semana. “O quarto exame deve ser feito entre a 32ª e a 36ª semana, caso haja suspeita de microcefalia”, destaca Pedro Pires, que conduziu uma capacitação, ontem de manhã, para 31 médicos ultrassonografistas que atuam nas redes municipal e conveniada de saúde do Recife. O treinamento foi realizado na Faculdade de Enfermagem da UPE, em Santo Amaro, área central do Recife.

“Seria bom se as gestantes fizessem, pelo menos, três ultrassonografias, mas a maioria só passa por duas. O terceiro exame nos ajudaria a melhorar o diagnóstico, daria mais segurança”, diz a médica Lina Soares, que realiza o exame nas grávidas atendidas na Maternidade Barros Lima, localizada em Casa Amarela, Zona Norte. A unidade de saúde é uma das três da rede municipal de saúde onde as mulheres do Recife têm seus bebês.

A gerente geral de Políticas Estratégicas e Atenção Básica do Recife, Zelma Pessôa, reforça a importância do protocolo que está em elaboração. “O documento deve orientar quantas e em que momento será necessário realizar as ultrassonografias. Uma das sugestões é que o terceiro exame aconteça no terceiro trimestre de gestação pois é quando dá para ter uma evolução da curva do tamanho da cabeça do bebê”, afirma Zelma. Na próxima quarta-feira (09) obstetras, neonatologistas e enfermeiros das três maternidades municipais também passarão por uma capacitação.

A Secretaria de Saúde de Pernambuco não informa quando o protocolo de conduta com as gestantes será apresentado. Diz apenas que está trabalhando para finalizá-lo o mais rápido possível.

Fonte: NE10

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