BRASÍLIA – O recrutamento de médicos estrangeiros para trabalhar no País deixará de fora bolivianos e paraguaios e, diferentemente do que afirmou o chanceler Antonio Patriota, que falou na vinda de 6 mil cubanos, priorizará portugueses e espanhóis. Além disso, será feito só para postos na atenção básica. “Esses profissionais não vão chefiar UTIs”, afirmou ontem o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, no encontro com a Frente Nacional de Prefeitos.
Na prática, o governo admite a “importação” de médicos não aptos para procedimentos de alta complexidade. A busca por profissionais interessados em trabalhar em serviços públicos brasileiros será feita apenas em países que apresentem uma relação de pelo menos 2 médicos por cada mil habitantes, informou Padilha. Dessa forma, nem Bolívia nem Paraguai atendem essa precondição.
“A prioridade será para profissionais de Portugal e Espanha”, disse Padilha. Desde o ano passado, o governo estuda alternativas para combater a dificuldade de preencher vagas em áreas remotas. A ideia em estudo prevê um chamamento internacional para médicos de vários países.
Profissionais recrutados trabalhariam em regiões com carência de profissionais e em áreas mais afastadas. De acordo com o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, por um período de três anos. Profissionais que se dispusessem a essas condições receberiam um registro provisório, algo que ainda não existe no País. A ideia do governo é fazer uma medida provisória prevendo essa autorização provisória.
Pela proposta, os salários dos profissionais serão bancados pelo governo federal. De acordo com Mercadante, a medida seria temporária. Uma solução de curto prazo para enfrentar o problema de falta de médicos até que os efeitos da abertura de novos cursos de medicina e de residência começassem a ser sentidos.
Padilha fez questão de afirmar que os detalhes do projeto ainda não estão fechados. Ele afirmou que, na próxima semana, vai aproveitar a Assembleia Mundial da Saúde para discutir e trocar experiências com ministros de outros países. Com as afirmações de ontem, Padilha procura mostrar que a iniciativa não ficará limitada a Cuba, tenta afastar o fantasma da contratação de médicos formados na Bolívia (cujo nível de ensino é questionado por entidades profissionais brasileiras) e dar o tom de uma medida já testada em outros países.
Fonte: Jornal do Commercio



