Médicos ameaçam pedir demissão coletiva no Paulista

Concursados, os profissionais se queixam de salários baixos. Por sua vez, a prefeitura prepara plano de gratificações para evitar debandada

Um grupo de médicos concursados da rede de saúde do Paulista, na Região Metropolitana do Recife, ameaça pedir demissão coletiva em assembleia da categoria marcada para o próximo dia 14 de fevereiro. Os 24 profissionais de emergência, especialidades e do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foram contratados através de concurso público em 2018, mas alegam que os salários estão defasados.

De acordo com o diretor executivo do Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe), Eduardo Magalhães, o concurso realizado no ano passado só foi viabilizado pela Prefeitura do Paulista após uma recomendação do Ministério Público. “Antes disso, os contratos eram temporários, o que é ilegal. Fizeram o concurso com salários muito baixos apenas para atender a demanda do Ministério Público. É do interesse da prefeitura manter os contratos temporários, porque eles podem nomear amigos, parentes, amigos de vereadores e ainda demitirem quando e quem quiserem”.

De acordo com o diretor do Simepe, um médico especialista ganha cerca de R$ 1,8 mil por mês e deveria cumprir 20 horas semanais de trabalho. O sindicato reitera que já mandou três ofícios solicitando uma posição da gestão municipal sobre a campanha salarial, mas não teve retorno. A Prefeitura do Paulista, por sua vez, apresentou outro valor para o salário da categoria, R$ 2.465 mais R$ 300 por produtividade. Dos 38 aprovados no último concurso, 14 não assumiram ou desistiram depois de iniciarem as atividades.

A secretária de Saúde do município, Fabiana Bernart, reconhece que os salários são defasados, mas adianta que o município está formulando um projeto de lei para incorporar gratificações aos salários dos médicos. “Essas gratificações vão tornar os rendimentos semelhantes aos do Recife, por exemplo. Além disso, faremos outro concurso para suprir as vagas que não foram preenchidas no certame do ano passado”. Ainda de acordo com a secretária, desde o dia 31 de janeiro nenhum contrato temporário foi renovado.

Saúde da Família
O déficit de médicos da família e a extinção do programa Mais Médicos pelo Governo Federal têm causado transtornos na rede de atenção básica do Paulista. A Promotoria de Justiça de Saúde do município instaurou um procedimento para averiguar a saúde básica no município, abordando questões como falta de especialidades médicas, denúncia de funcionamento irregular de alguns postos de saúde e falta de cobertura em algumas áreas.

De acordo com a secretária de Saúde do Paulista, das 43 equipes de saúde da família, seis estão sem médicos. “É um deficit antigo. Temos dificuldade de preencher por conta dos salários defasados, mas esperamos resolver com o incremento de R$ 1 mil no rendimento”, ressaltou Fabiana Bernart.

Fonte: OP9 – Sistema Opinião de Comunicação

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