Sexta-feira, dia 01 de outubro. O impasse continua. Os médicos que trabalham na Prefeitura de Camaragibe paralisaram por 24h, os serviços eletivos (ambulatórios e PSF’s), preservando os atendimentos de urgência e emergência. Indignados com o descaso da prefeitura que se arrasta há dez meses, os profissionais promoveram uma carreata, marcada pela ironia, onde enterraram simbolicamente o boneco “João Doentão” que, hoje, representa o quadro caótico da saúde pública na cidade.
A atividade começou por volta das 09h, no posto Padre Cícero, localizado no final de avenida Caxangá, quando os manifestantes discutiram a estratégia articulada pelo Sindicato dos Médicos (Simepe). O relógio marcava 10h10, o sol forte enchia de luz e cor as ruas e avenidas de Camaragibe. Os carros se deslocaram pela avenida doutor Belmiro Correia. Uma motocicleta de som puxou o movimento juntamente com outro veículo que levava um caixão de defunto e o boneco “João Doentão” num cortejo fúnebre. Corações e mentes na mesma sintonia. O céu azul e infinito. O sopro do vento pela copa das árvores.
Em frente ao Centro de Especialidades Médicas de Camaragibe (Cemec), os médicos estenderam faixas pretas na entrada do prédio, chamando a atenção de motoristas e pedestres. O Sindicato dos Servidores Municipais de Camaragibe (SISEMCg) esteve presente à manifestação dos médicos. De acordo com a diretora do Sisemcg, Laudicéia Santos, a situação é cada dia mais complicada, uma vez que a gestão municipal trata os servidores de todos os setores, com desrespeito e exploração: “Não temos Planos de Cargos e Carreiras e Vencimentos (PCCV). Existem desvios de funções. Ela criticou também a intransigência da Prefeitura em negociar a Pauta da Reivindicações.
Precariedades e descaso
O diretor de base do Simepe, Ronaldo Dantas, destacou que faltam recursos humanos e medicamentos, os equipamentos estão sucateados, insegurança e condições inadequadas para o exercício profissional. “ A prefeitura faz de conta que existe saúde. É lamentável. O prefeito João Lemos, que é médico, trata o movimento da categoria com desrespeito”, assinalou. Os manifestantes descartaram qualquer ligação da carreata a “finalidades políticas” e criticaram a proposta de atendimentos paralelos que está sendo divulgada pela atual gestão municipal.
Os médicos de Camaragibe estão negociando com a Prefeitura, para garantir melhores condições de trabalho, atendimento de qualidade, escalas completas e garantia de seus direitos trabalhistas. Mas, faltam respostas concretas por parte dos gestores municipais. Na frente do Cemec Centro, a movimentação era intensa. Homens, mulheres e crianças passavam pelas retinas de nossos olhos. Expectativas. O diretor do Simepe, Fernando Cabral, pegou o microfone e disse claramente que os profissionais de saúde não têm direito a licença para tratamento de saúde, as médicas não têm direito a licença maternidade e os salários são baixos. Criticou a postura do prefeito João Lemos que finge que não tem crise na saúde em Camaragibe “ O prefeito não atende os médicos e não quer melhorar a qualidade do atendimento à população. A categoria decidiu pela greve”, enfatizou.
“Crônica de morte anunciada”
Em seguida, os médicos seguiram a carreata. O caixão de defunto e o “João Doentão” acompanhavam o trajeto, chamando a atenção pelo Centro Comercial da cidade. Ironias, sorrisos e curiosidades. Às 11h15, o ato público dos médicos de Camaragibe era iniciado em frente à sede do poder municipal, com muita tranqüilidade. Na porta principal e nas janelas do prédio, os funcionários assistiram a “crônica da morte anunciada” do prefeito João Lemos. O caixão de defunto foi levado para a calçada, onde foi realizado o “enterro simbólico”. Médicos e servidores reforçaram, mais uma vez, que a deflagração do movimento de grevista nos serviços de saúde municipal começará na segunda-feira, 04/04/10, como instrumento legítimo de pressão dos trabalhadores. Serão mantidos em 30% os atendimentos de urgência e emergência no Cemec Centro.
Os médicos reafirmaram que o povo de Camaragibe merece uma saúde melhor. Fim do ato. É hora de recomeçar a luta. A próxima Assembleia Geral da categoria está prevista para o dia 06/10/10 (quarta-feira), às 19h30, no auditório do Simepe.



