Patrícia Martins de Souza, 17 anos, deu à luz em Olinda neste semestre porque na noite do parto não havia obstetra na maternidade de sua cidade, em São Lourenço da Mata. Para manter a vacinação e as consultas dos filhos (a bebê Jamile e o mais velho Jonatan, de 3 anos), desce uma ladeira e anda uma hora e meia a pé até o Centro da cidade. Ela vive na Vila da Saudade, uma comunidade rural cuja via de acesso fica próxima da Arena da Copa do Mundo de 2014. Mas lá não há Posto de Saúde da Família e o município, em 2011, registrou o menor número de médicos por habitante nos bancos de dados do Ministério da Saúde.
Em todo o Estado, a proporção é inferior a um médico municipal por mil habitantes. Sairé, no Agreste, tem a melhor situação. O índice lá é de 0,47, ou seja, um médico para cada dois mil moradores. No Grande Recife se aproxima dessa situação o Cabo de Santo Agostinho. Inversamente, São Lourenço tem 0,04 médico por mil habitantes e o pior no Estado é São Bento do Una, no Agreste, com 0,02. Quando a conta inclui todos os médicos do SUS (estaduais, federais, municipais e conveniados), a capital se mantém na dianteira, com 2,5 médicos, o que é explicado pela concentração de grandes hospitais públicos.
O ranking da baixa cobertura de médicos em Pernambuco e em suas regiões está sendo revelado pelo Portal da Saúde, em montagem pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE). O resultado das análises, que abrangem de 2005 a 2011, estará disponível para o internauta ainda este ano, mas já guia o controle das contas públicas feitas pelo TCE.
Em São Lourenço, onde Patrícia reside, a secretária de Saúde, Tereza Bezerra, explica que avanços foram realizados mais recentemente, com a reabertura do Hospital Petronila Campos. Segundo ela, existem 16 unidades do PSF, número que será ampliado para 21 este ano, com a meta de chegar a 25 e cobrir 100% do território em 2013. Ela reconhece também a necessidade de ampliar as especialidades.
No Cabo de Santo Agostinho, que tem situação mais confortável, a presença de posto de saúde na comunidade não significa satisfação completa. Moro na mesma rua do posto e tenho que acordar de madrugada para conseguir ficha para marcar consulta, conta Lindiane Cristina Flor, que reside em Ponte dos Carvalhos. Ela se queixa também da qualidade do atendimento na urgência 24 horas mais próxima de sua casa. O médico não examina, só passa injeção, reclama. Maria Eugênia Silva, que mora no Loteamento Nova Era, um dos recentes da cidade, espera desde novembro para fazer endoscopia.
O secretário-adjunto de Saúde do Cabo, Edmilson Oliveira, explica que recursos humanos é um gargalo no SUS, por causa da constante saída de pessoal em razão de aposentadoria ou de um emprego melhor. Não é fácil manter o quadro, afirma. Além disso, segundo ele, a capacidade instalada não consegue, às vezes, atender o rápido crescimento populacional da cidade que integra a região de desenvolvimento econômico do Complexo de Suape. Mas estamos tentando dar mais agilidade, afirma.
Fonte: Jornal do Commerci0



