Atendimentos de urgência e emergência serão mantidos
Depois de uma paralisação em caráter de advertência que durou 72 horas, os médicos da rede municipal do Recife deflagraram greve por tempo indeterminado, nesta quinta-feira (19). A paralisação começa nesta sexta-feira (20). A decisão foi tomada, de forma unânime, em assembleia da categoria nessa manhã. Entre as principais queixas dos profissionais, estão a falta de segurança nos hospitais e postos de saúde, a falta de abastecimento de medicamentos e a readequação do número de servidores devido à alta demanda por atendimentos. Durante o movimento paredista, os médicos continuarão atendendo pacientes em situação de urgência e emergência. Também seguem funcionando as maternidades.
Através de nota oficial, a Secretaria de Saúde do Recife lamentou a greve e disse que a negociação com a categoria está em andamento. Disse, inclusive, que os servidores receberam reajuste de 4% este ano em virtude de acordos anteriores.
As demandas dos médicos não são novas. No início de 2018, a classe dialogou com a Prefeitura do Recife, que se comprometeu a atender os pleitos por mais segurança e melhores condições de trabalho. Apesar do acordo estabelecido, várias dessas reivindicações não foram atendidas. Essa foi a explicação dada por Cláudia Beatriz, vice-presidente do Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe).
“Essa greve vem por um descumprimento dos acordos firmados. É um movimento que clama por melhores condições de trabalho, por segurança, pelo abastecimento de medicamentos de forma plena, não pela metade. Precisamos também de transporte, porque as nossas ambulâncias estão em situação precária. Temos a consciência de que, ao fazer isso, estamos também contribuindo com a população, para ser justa e dignamente atendida.”
Segundo o sindicato, o desabastecimento de medicamentos é um dos aspectos mais graves dessa falta de estrutura nas unidades de saúde da capital pernambucana. Estão faltando desde remédios para tratamentos mais complexos até drogas simples, como dipirona e antibióticos. Segundo a assessoria do Simepe, há um déficit muito grande de fármacos para medicação psiquiátrica, o que faz com que muitos tratamentos sejam descontinuados.
“Esses tratamentos de pacientes com transtorno são contínuos. Esse é talvez um dos maiores problemas na rede de abastecimento de medicação no município. Quando o paciente não consegue adquirir todo o tratamento do mês, isso causa uma reagudização do paciente. Ele entra em crise, em surto, e volta o tratamento desde o início, com prejuízo para o paciente em termos da alta”, explica a vice-presidente do Simepe.
Outra cobrança da categoria é por mais segurança nas unidades de saúde. Segundo Cláudia, a prefeitura precisa cumprir promessas que fez, no início do ano, com esse intuito. “Nós precisamos da reposição dos vigilantes nas unidades de saúde, trazendo garantia e segurança para toda a equipe e para os usuários. Precisamos que avancem todas as propostas de segurança que haviam sido sinalizadas, como aplicativo Sentinela, câmeras de segurança”, ressalta.
Confira a nota divulgada pela Secretaria de Saúde do Recife
A Prefeitura do Recife lamenta o uso deste tipo de expediente como forma de manifestação e reitera que o canal de diálogo com a categoria sempre esteve aberto. A Prefeitura lembra ainda que de 2013 até hoje, a categoria foi contemplada com reajuste acumulado de 32,95%, sendo 4,04% dado este ano, além das progressões de carreira que impactam diretamente na remuneração.
Fonte: OP9 – Sistema Opinião de Comunicação



