Médicos de PE protestam contra importação

Um ato público contra o pacto pelo Brasil, anunciado pela presidenta Dilma Rousseff, reuniu, ontem, médicos de Pernambuco, que são contra a importação profissionais estrangeiros para atuar no SUS. A classe interrompeu durante todo o dia os atendimentos nos ambulatórios e Unidades de Saúde da Família e, à tarde, ganhou as ruas em uma passeata que deixou o trânsito complicado na avenida Conde da Boa Vista, no Centro do Recife.

A categoria repudiou a pactuação proposta pela presidenta para resolver a falta de médicos no País com a vinda de milhares de profissionais estrangeiros. “É uma medida danosa e que põe em risco a vida da população”, afirmou o presidente do Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe), Mário Jorge Lobo.

Ele contou que divulgará à população uma carta aberta em que informará os riscos que as pessoas podem correr com a a medida, uma vez que os médicos vão atuar no Brasil sem o Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos (Revalida), que apresenta alto índice de reprovação de profissionais de outras nacionalidades . “É uma barganha de competência pela restrição do local do trabalho”, alfinetou.

Segundo o presidente do Simepe, médicos que já foram reprovados no exame e que não tiveram competência atestada podem encontrar um atalho para entrar e exercer a profissão no Brasil. Outra crítica de Lobo à pactuação pela saúde proposta pelo Governo Federal foi a justificativa à importação. Mário Jorge Lobo definiu durante a manifestação de ontem que enviará uma carta aberta também ao Governo do Estado, à Prefeitura do Recife e à Associação Municipalista de Pernambuco (Amupe) pedindo apoio à causa.

A presidente do Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe), Maria Helena Carneiro, endossou as reclamações do Simepe e indicou que a saída para a cobertura médica do Brasil deve ser outra. “Mais uma vez, reafirmamos sobre a má distribuição dos médicos do País, em especial nos municípios mais distantes e que apresentam precárias condições de trabalho. As medidas anunciadas não são definitivas, põem em risco a qualidade da assistência médica, não garantem a atenção primaria. É preciso políticas públicas responsáveis, definitivas que garantam a fixação do médico com a criação da carreira de Estado e condições dignas que garantam o exercício ético da medicina em todo País”, indicou.

Fonte: Folha de Pernambuco

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