Médicos de Petrolina decretam estado de greve


Uma quantidade expressiva de médicos de Petrolina participaram da AGE do Simepe neste 30 de dezembro

O atraso salarial dos médicos vinculados ao Hospital escola da Universidade do Vale do São Francisco (Univasf) foi uma das pautas da Assembleia Geral (AGE) realizada na noite desta segunda-feira (30/12), no auditório da unidade. Na ocasião, a categoria junto com o presidente e diretor do Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe), Mário Jorge Lôbo e Tadeu Calheiros, respectivamente, além do presidente do Cremepe, Sílvio Rodrigues, deliberaram estado de greve para monitorar e fiscalizar o cumprimento dos acordos firmados – com datas de pagamentos pré-estabelecidas – pela Univasf e o Instituto de Saúde e Gestão Hospitalar (ISGH) que gere o hospital.

A Assembleia foi motivada pelo atraso salarial dos meses de novembro e dezembro que deveriam ter sido pagos no quinto dia útil do mês. A categoria chegou a conversar com os gestores do hospital, mas as promessas de pagamentos não foram cumpridas. Diante da situação, os representantes do Simepe conversaram, antes da AGE, com o vice-reitor da Universidade, Telio Nobre, para cobrar os pagamentos atrasados e que regularizasse um calendário para manter a estabilidade das remunerações.

O gestor explicou que o atraso do repasse de verbas foi do Governo Federal e que a empresa que gere o hospital optou em pagar fornecedores, ao invés dos funcionários. Para o presidente do Simepe, esta decisão é contrária às leis trabalhistas e a gestão precisa se responsabilizar pelos trabalhadores da unidade. “Uma decisão leviana que põe em risco o atendimento do hospital e da população de Petrolina. Externamos a nossa indignação com a situação e preocupação com a desresponsabilização dos governos de fazer a gestão dos seus hospitais” explicou.

Na reunião, o vice-reitor redigiu um documento sinalizando os pleitos do Simepe, onde os valores de novembro serão pagos no primeiro dia útil de janeiro e os de dezembro até o terceiro dia útil após o repasse da Univasf para a ISGH. A terceirizada também se posicionou, via email, confirmando que a ordem bancária foi autorizada e os valores serão pagos no prazo estabelecido pelo vice-reitor. “Como esta empresa recebe o repasse da Univasf no quinto dia útil do mês os médicos teriam um prazo de até oito dias úteis para que a terceirizada fizesse o pagamento dos trabalhadores. Não é uma situação ideal, mas é plausível mediante a realidade de um contrato tampão que vai persistir até a entrada da Ebserh” avaliou Lôbo.

Na opinião dos médicos do Hospital os documentos são importantes para registrar o compromisso firmado pela Univasf e ISGH, entretanto, outras promessas já tinham sido feitas e não foram cumpridas, por isso, se faz necessário ir para um enfrentamento mais duro. Assim, caso ocorra o descumprimento do que foi posto por escrito, será convocada uma assembleia de imediato e os médicos entrarão em paralisação com greve.

“Os médicos esperam que os compromissos assumidos com a nova gestão do hospital sejam honrados, que os pagamentos em atraso sejam pagos nas datas acordadas e que se regularize essa situação para que os médicos do serviço não fiquem a mercê da gestão. Além disso, a categoria busca ainda que as melhorias  acordadas em movimentos anteriores trazendo maior capacidade e melhor atendimento à população também sejam honrados” finalizou o diretor do Simepe, Tadeu Calheiros.

Na oportunidade, os médicos também colocaram as péssimas condições de trabalho na unidade. Por isso, o presidente do Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe) indicou à necessidade de fiscalizar as unidades de saúde da região e demostrou a preocupação com a privatização dos hospitais universitários.

 

 

 

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