Deliberar ações. Este foi o objetivo principal da Assembleia Geral dos Médicos vinculados à Prefeitura do Recife realizada nesta quarta-feira (22/05), na Associação Médica de Pernambuco (AMPE), Boa Vista. Os quase cinquenta médicos que se reuniram no auditório da entidade buscavam soluções para os inúmeros problemas estruturais e de recursos humanos. Profissionais de saúde que atuam em quase todas as unidades de saúde do município – policlínicas, postão de saúde, PSF, maternidades e SAMU – participaram da AGE.
O presidente do Sindicato dos Médicos, Mário Jorge Lôbo, coordenou o encontro e iniciou o momento lendo um documento da Prefeitura referente à última solicitação do Simepe. Na reunião mencionada pela gestão, o Sindicato apontou soluções para a recomposição das escalas de plantão, problemas estruturais, propondo concurso público e reajuste salarial. Como resposta, a gestão informou que o governo já começou a requalificação da rede de saúde existente, com a reforma e reestruturação das unidades de saúde e garantiu que irá reforçar o número de profissionais em todas as áreas.
Entretanto, a Prefeitura não esclareceu quando, nem como irá começar os trabalhos. O documento ainda mencionava a recomposição de escalas com a contratação dos concursados. “Chamar os médicos a conta gotas não é a solução”, frisou Lobo. Já os exames laboratoriais, cujos insumos estão em processo de licitação e diante da continuidade de oferta dos serviços, para não causar transtornos à população, a Secretaria de Saúde disse que elaborou um plano emergencial junto à laboratórios conveniados.
O discurso formal da gestão não agradou a categoria que cobrou melhorias imediatas. Na Mídia, o prefeito Geraldo Júlio aparece inaugurando unidades de saúde e assinando documentos para resolver os problemas das maternidades, policlínicas e PSFs. Entretanto, os médicos convivem todos os dias com a falta de equipamentos, com exames demorados ou pagos – uma vez que no “Postão” os pacientes estão pagando para fazer exame de urina.
Em relação as policlínicas, o diretor do Simepe, Tadeu Calheiros, explicou que os déficits se repetem. Não há insumos básicos, nem recursos humanos nas unidades. “ Os médicos ligam nos finais de semana informando que a situação esta calamitosa” ele sinalizou que este é o momento de “endurecer” o movimento. Uma das médicas que participava da reunião explicou que na Policlínica Amaury Coutinho, ela esta atendendo de 150 a 180 pacientes por dia. “O pior é que quando dizemos que o plantão vai ser fechado a população chega a ameaçar a equipe” explanou.
Deliberações
Os médicos da Prefeitura do Recife juntamente com o apoio do Sindicato dos Médicos deliberou na Assembleia que:
1. Os profissionais irão para o pleno extraordinário no Conselho Municipal de Saúde às 14h do dia 23 de maio, onde poderão colocar para os conselheiros toda a situação que as unidades enfrentam, desde o cheiro de fossa dos profissionais do Samu até os exames que são cobrados da população.
2. Também ficou acordado que os médicos não vão mais suprir o déficit de escalas, nem fazer plantões extra por conta de falta de profissionais.
3. Ficou combinado que as unidades de saúde da família que não responderam o questionário irão fazê-lo para que a pesquisa seja concluída.
4. Em relação à Policlínica Amaury Coutinho, o Sindicato dos Médicos de Pernambuco vai elaborar uma carta de transferência conjunta de todas as equipes de plantão.
5. Os profissionais se comprometeram de enviar para o Simepe imagens e vídeos da situação que estão vivendo nas unidades de saúde.
6. Para a próxima AGE ficou combinado que os profissionais chamariam mais colegas para a discussão.
A próxima AGE será no dia 11 de junho, na Associação Médica de Pernambuco (AMPE).



