Médicos e estudantes de medicina realizaram na manhã desta terça-feira (04/06), um ato público seguido de passeata em defesa do Hospital Dom Moura, em Garanhuns, que contou com o apoio da população. A categoria se concentrou por volta das 9h, em frente à unidade de saúde e em seguida caminhou com faixas e cartazes até o Fórum Ministro Eraldo Gueiros Leite. O objetivo do protesto foi chamar atenção dos órgãos públicos e cobrar providências urgentes para solucionar a crise instalada na unidade de saúde.
Em abril o Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe) determinou a interdição ética dos setores de pediatria, clínica médica, cirurgia e traumatologia. Desse tempo pra cá, a população e os profissionais de saúde sofrem ainda mais com a morosidade em solucionar os problemas.
Segundo um dos médicos da unidade de saúde, André Luiz Marrocos, entre os principais problemas estão a falta de profissionais, condições de trabalho precárias e escassez de equipamentos e insumos. Todos esses problemas também afetam os programas de residência, uma vez que a ausência de preceptores compromete o desempenho das atividades dos residentes.
Para o Diretor do Simepe, Tadeu Calheiros, a manifestação de hoje representa um grito de alerta para o descaso enfrentado pelos profissionais e pacientes da principal referência em saúde no município. “Nosso ato público serve para chamar a atenção da Secretária Estadual de Saúde e do Governo do Estado para a importância e necessidade deste hospital para a região”, explicou. Ainda de acordo com o diretor, é de extrema urgência que seja feita a nomeação de médicos para solucionar os desfalques nas escalas de plantão.
Os estudantes de medicina também estão engajados na luta por melhorias para o hospital e de uma assistência de saúde digna para a população. O Estudante de medicina e presidente do Centro Acadêmico de Medicina Ulysses Pernambucano (Camup), Everton Farias, considera a situação preocupante, uma vez que o Dom Moura não apresenta porte de Hospital Regional. “Como estudantes de medicina compreendemos que o hospital não tem nenhuma condição de oferecer nem assistência à população da região, com cerca de 600 mil habitantes, tampouco servir de suporte de ensino”, desabafou.
Para Danielle Cavalcante, usuária do sistema público de saúde, todos os problemas apontados e denunciados pelos médicos são reais e refletem na qualidade da assistência aos pacientes. “Faltam pediatras, ortopedistas e muitos outros especialistas, assim como falta também estrutura e medicamentos, por isso nos sentimos bastante prejudicados”, comentou.
“Continuaremos cobrando providências até que os serviços se normalizem, os problemas sejam reparados e o hospital esteja em condições de atender à população”, finalizou o diretor do Simepe, Tadeu Calheiros.



