Médicos estrangeiros e preconceito

A intolerância é uma das faces do preconceito. Esse tipo de comportamento está acontecendo em alguns Estados depois que o Governo autorizou a vinda de médicos estrangeiros para clinicar no Brasil. A saúde pública, mesmo que sejamos redundantes, é uma das áreas mais problemáticas para a população, principalmente quando pessoas carentes buscam tratamento para as mais variadas enfermidades, deparando-se com a escassez de profissionais e medicamentos em regiões distantes dos grandes centros e, até mesmo, nas mais importantes cidades brasileiras.

Surpreende-nos, portanto, que médicos de nacionalidades diversas estejam sendo hostilizados por pessoas comuns, inclusive por colegas de profissão. O exercício da nobre missão por estrangeiros é objeto de uma medida provisória, instituindo o Programa Mais Médicos, que está em tramitação no Congresso Nacional.  Mas, eles já estão chegando e começando a trabalhar. Em Fortaleza, médicos cubanos foram agredidos verbalmente por colegas brasileiros, chamando-os de escravos, incompetentes e que deveriam voltar às suas senzalas.

Essa condenável manifestação é muito mais fruto de preconceito racial do que de ranço ideológico, presume-se. O presidente do Sindicato dos Médicos local argumentou que não havia intenção pejorativa nas palavras ditas, mas de que eles não fossem explorados como escravos. Sob esse aspecto, talvez a essência das palavras abrigasse o repúdio ao regime marxista vigente em Cuba. Houve outros exemplos, envolvendo também médicos estrangeiros de outras nacionalidades, onde o regime democrático predomina. Todo preconceito é uma postura ou ideia preconcebida, uma atitude de alienação a tudo aquilo que foge aos “padrões” de uma sociedade. Suas principais formas são o preconceito racial, social e sexual, quando não, em vários momentos, religioso.

O preconceito conduz à discriminação, à marginalização e à violência, uma vez que é baseado nas aparências e na empatia. Daí ser condenável qualquer espécie de preconceito. Nesse caso dos médicos estrangeiros trabalharem no Brasil, a questão central, a nosso ver, é outra: trata-se de que se submetam à prova denominada de “Revalida”, isto é, uma avaliação das suas aptidões para o exercício da profissão. Enfim, que eles sejam submetidos à avaliação periódica de sua capacidade profissional, porque se assim não for os que se formam em Medicina em nosso País estarão sendo tratados de forma desrespeitosa.

Basta exemplificar o número de médicos brasileiros que tem por obrigação cumprir o período chamado de “residência”. Sendo assim, que sejam aceitos os médicos oriundos de outras nações, mas que estejam subordinados às normas que regem uma profissão de tamanha importância para o povo brasileiro, em especial, aquelas populações carentes que vivem em regiões distantes e precárias, sem atendimento. Por fim, os Governos federal e estaduais têm a obrigação de implantar a infraestrutura indispensável, desde remédios, instrumentos cirúrgicos, locais dignos de trabalho e outros requisitos imprescindíveis às necessidade.

Fonte: Folha PE

 

Compartilhe:

Deixe um comentário

Fique por dentro

Notícias relacionadas