Várias cidades do interior do Estado estão sem médicos. O caso mais grave é o de São Caetano, onde 60% dos profissionais pediram exoneração dos cargos, segundo a secretária de Saúde da cidade, Márcia Coelho, e os no Postos de Saúde da Família (PSFs) estão sem atendimento. O motivo é a Portaria 134, publicada pelo Ministério da Saúde, em maio, que reforçou o que já é previsto na Constituição: nenhum médico pode ter mais de dois vínculos públicos. Assim, devido à normatização, os profissionais têm optado por deixar de atender nas cidades do Interior, que oferecem menores salários.
“A porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS), que é o PSF, está comprometida aqui”, alertou a secretária. São Caetano tem oitos PSFS e tinha, ao todo, 36 médicos, entre plantonistas, especialista e médicos da família, porém 18 deles já deixaram os cargos. Os baixos salários são um dos principais motivos pela dispensa nos cargos no Interior. Um plantonista na cidade ganha R$ 1,2 mil e o médico de ambulatório, R$ 900.
A falta de médicos também afeta cidades como Belo Jardim. No hospital municipal, oito médicos especialistas pediram dispensa; no PSF, foram quatro. Em Caruaru, pelo menos 12 profissionais entregaram os cargos e, em Gravatá, dez médicos com mais de dois cargos públicos também deixaram o atendimento na cidade. O secretário de Saúde de Gravatá, Jorge Eduardo, classificou a portaria como negativa, apesar de legal. “Ela está correta, mas foi feita na hora errada porque precisávamos de mais tempo para nos ajustar”, frisou.
O diretor regional do Sindicado dos Médicos de Pernambuco (Simpe), Danilo Souza, acredita que o momento é de atenção. “Agudamente haverá esvaziamento em algumas cidades e é impossível saber agora o impacto”, disse Souza. “O que está acontecendo é uma normalização do cadastro de profissionais no sistema nacional de informação”, explicou a diretora da 4ª Gerência Estadual de Saúde (Geres), Maria Aparecida Souza. Até hoje, não se sabe ao certo qual o deficit de profissionais no País. “O que o Mistério da Saúde quer é desenhar a realidade, não há interesse em desassistir a população”, comentou. A diretora antecipou que o MS estuda outra normativa caso a situação piore.
Fonte: Folha PE



