Médicos pernambucanos reagem

Enquanto o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, tenta convencer o Congresso das causas nobres do programa Mais Médicos, entidades que representam a categoria alertam a população para as contradições da iniciativa. Em Pernambuco, profissionais das redes estadual, municipal e federal, que decretaram estado de greve, vão manter o atendimento, mas usarão o dia de hoje, de mobilização nacional por 10% do PIB para a saúde, na conscientização de pacientes quanto à necessidade de maior financiamento do SUS.

“As medidas do governo só agradam prefeitos. Não são boas para a população nem para os profissionais, em nada alteram a precária estrutura do sistema de saúde”, diz Mário Jorge Lobo, presidente do Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe). Já Carlos Tadeu, presidente da Associação de Médicos Residentes, diz que o governo quer transformar recém-formados em mão de obra barata.

Professores de cursos médicos do Recife também questionam o suporte e supervisão a serem oferecidos nas áreas que vão receber profissionais selecionados pelo Ministério da Saúde e futuramente os doutorandos. Se as localidades de baixo desenvolvimento humano do interior e periferia já têm dificuldade de atrair profissionais, como os novos admitidos e formandos terão supervisão qualificada? “É difícil repor docentes nos cursos médicos. Preocupe-me com a tutoria a ser oferecida nas novas situações”, diz o professor emérito da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade de Pernambuco, ex-presidente da Associação Brasileira de Educação Médica, José Guido Corrêa de Araújo.

Para ele, o sétimo e oitavo anos de medicina deveriam ser por adesão voluntária do aluno, com atrativos para uma carreira no SUS, essa sim, a solução para fixar profissionais, na opinião do professor.

Ele critica o fim da revalidação do diploma para que estrangeiros trabalhem temporário no SUS. “Por que pessoas mais pobres podem ser tratadas por médicos que não têm autorização para cuidar de outros que vivem em áreas mais estruturadas?”, argumenta. Guido lembra que o índice de aprovação no Revalida tem sido pequeno. No Provalida, programa similar da UPE, cerca de 70 foram aprovados na primeira fase, mas só dois venceram a etapa final.

Cláudio Lacerda, coordenador do mais novo curso médico de Pernambuco, o do Centro Universitário Maurício de Nassau, também vê com reservas as iniciativas. Defende o exame de ordem para médicos formados até no Brasil, é contrário à admissão de profissionais estrangeiros sem revalidação de diploma e defende a tutoria presencial para recém-formados.

Fonte: JC

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