Médicos pressionam Camed Vida

A mobilização dos médicos contra o plano de saúde Camed Vida em Pernambuco pode ganhar reforço. Hoje, a Comissão de Honorários Médicos do Estado reúne-se com a categoria na sede do Sindicato dos Médicos e pode aprovar a suspensão dos atendimentos eletivos (quando o paciente faz marcação do serviço) de angiologistas, cirurgiões vasculares e endovasculares, otorrinos e cardiologistas com atuação em ergometria. Desde o dia 4 de fevereiro, ou seja, há mais de um mês, foram paralisados procedimentos de radiologia e ultrassonografia. Só estão acontecendo estes atendimentos nas urgências e emergências.

Médicos acusam o plano de saúde de descredenciar profissionais unilateralmente. Segundo o presidente da Comissão de Honorários Médicos de Pernambuco e coordenador nacional das Comissões Estaduais de Honorários Médicos pela Associação Médica Brasileira (AMB), Mário Lins, o desentendimento começou quando a categoria rejeitou desconto de 20% na tabela de honorários.

“O médico não pode ser tratado como sapato velho. Este impasse está perdurando por falta de diálogo do Camed. Eles apenas argumentam que fazem redimensionamento da rede. Queremos o recredenciamento”, reclama Lins. Ele não soube precisar quantos profissionais sofreram descredenciamento. “Dezenas”, resumiu. Segundo a assessoria de imprensa do Camed Vida, foram descredenciadas quatro das 25 clínicas de imagem (leia a resposta completa da empresa na matéria ao lado).

Integrantes do mercado médico de Pernambuco relatam que há cerca de oito meses o Camed Vida vem apresentando problemas financeiros, tanto que está negociando a venda de parte da sua carteira de beneficiários para a Unimed Fortaleza. O pedido de transferência foi enviado à Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) no início do mês passado.

No meio do cabo de guerra entre médicos e a empresa, estão aproximadamente 48,6 mil usuários. O Camed Vida é o braço do grupo Camed que atende aos clientes individuais, diferente do Camed Saúde, que presta serviço aos funcionários do Banco do Nordeste do Brasil (BNB), para quem não houve qualquer problema.

O presidente do Sindicato dos Hospitais de Pernambuco (Sindhospe), Mardônio Quintas, cobrou atuação da ANS no imbróglio. Para ele, o órgão regulador dos planos de saúde deveria estar “mais ativo” no processo. O presidente acredita que o Camed não está preocupado (segundo o entendimento dos médicos) em negociar porque quer vender parte da sua carteira.

Em nota, a ANS informou que a operadora deverá oferecer outra opção para o atendimento de exames e lembrou que o descredenciamento de hospitais depende de autorização prévia da agência. O órgão orientou osbeneficiários que se sentirem lesados a denunciar irregularidades por meios dos canais do órgão: por telefone, no número 0800-701-9656, pelo site, no endereço www.ans.gov.br, ou presencialmente em um posto de atendimento.

Ainda de acordo com a nota da agência, a multa caso a operadora não ofereça outra opção de prestador será de R$ 80 mil.

Fonte: Jornal do Commercio

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