Médicos promovem paralisação nesta quarta-feira

Amanhã é dia de mobilização dos médicos em todo o Brasil em busca de melhores remunerações pagas pelos planos de saúde. No Estado, o protesto de 24 horas vai afetar potencialmente o atendimento de cerca de 400 mil pessoas, segundo estimativas do Sindicato dos Médicos (Simepe) e da regional da Associação Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge), cujas empresas associadas são o principal alvo da classe médica. Durante esta quarta-feira os profissionais de saúde vão deixar de atender clientes conveniados a sete planos de saúde: Viva Saúde, Ideal Saúde, Real Saúde e América Saúde, Golden Cross, Samaritano e Hap Vida (dona das marcas Santa clara, Santa Helena e OPS).

Os clientes dessas empresas deixarão de ser atendidos em consultas e procedimentos considerados eletivos, ou seja, que foram previamente marcados. “Desde que não haja uma emergência caracterizada, o médico poderá deixar de atender, podendo remarcar a consulta para o dia seguinte”, explicou o presidente da Comissão de Honorários Médicos do Simepe, Mário Fernando Lins. Segundo ele, nenhum médico será forçado a entrar no movimento, mas aqueles que aderirem vão preservar os atendimentos de urgência, emergência, serviços de hemodiálise, quimioterapia, radioterapia e outros tipos de doenças em que não se pode esperar. “Será um dia de protesto para mostrar à população a nossa negociação com os planos e um alerta. Queremos mostrar que os médicos podem se descredenciar dos planos.”

De forma geral, os planos atingidos pela paralisação de 24h apresentaram propostas de reajuste das consultas que não foram aceitas pela categoria. O Viva Saúde, por exemplo, propôs pagar o mínimo de R$ 35 por consulta a partir de 1º de outubro e renegociação em janeiro de 2012. O Ideal Saúde chegaria até R$ 38, para clientes mais simples e R$ 45 para os clientes top até janeiro. Todas foram rejeitadas. A mobilização acontecerá no Parque da Jaqueira a partir das 7h, com café da manhã, coletiva de imprensa e uma corrida de 5 quilômetros em volta do Parque com premiação para os clientes e médicos vencedores.

A intenção do Simepe é chegar a um valor próximo ao que foi acordado com as empresas ligadas a Unidas, que representa os grupos de medicina de autogestão, como Cassi e Petrobras. Com essas instituições, os médicos conseguiram fechar o preço da consulta a R$ 60 e utilização da tabela cheia da CBHPM (relação de procedimentos e a devida remuneração) para os demais procedimentos médicos, sem índices redutores.

Para o presidente regional da Abramge, Flávio Wanderley, a postura do Simepe é sectária e a prova disso seria a falta de acordo com as empresas ligadas a sua associação. “Enquanto um médico tem quatro clientes das empresas de autogestão, ele tem 50 das de medicina de grupo. Não dá para comparar, até porque os consumidores das empresas da Abramge são os de menor poder aquisitivo”, comenta. Além disso, salienta, os custos das entidades são diferentes. “A autogestão não tem fins lucrativos, com isso a lei é mais branda em termos trabalhistas, o custo deles é menor. No caso das seguradoras (Sulamérica e Bradesco), seu custo administrativo é mais baixo e as mensalidades mais altas em relação a medicina de grupo. Já com as cooperativas médicas (como a Unimed) há um corporativismo, pois assim como as empresas ligadas à Abramge, elas não têm como pagar R$ 60 nas consultas.”

Fonte: JC

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