A qualidade do atendimento médico na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Caxangá, na Zona Oeste do Recife, deve piorar nos próximos dias. Os médicos clínicos da unidade pediram demissão coletiva na última quarta-feira em reação às precárias condições de trabalho. Dos 25 profissionais que atuam no local, 21 solicitaram o afastamento permanente e já estão cumprindo aviso prévio. O motivo teria sido o anúncio de uma nova redução no quadro de profissionais e a falta de insumos básicos para atendimento dos pacientes.
De acordo com informações de um dos médicos que faz parte do grupo de demissionários, repassadas ontem ao JC, na última quarta feira houve uma reunião entre os coordenadores do Hospital Maria Lucinda, responsável pela administração da UPA, e os médicos do serviço com a intenção de discutir as deficiências da unidade e esclarecer a restrição ao atendimento de pacientes, ocorrida quatro dias antes. Devido à falta de insumos e redução do quadro de plantão, a prioridade foi dada aos casos graves.
Na ocasião, a direção apresentou um plano de recuperação financeira da unidade, que incluía a diminuição de mais um médico clínico e um pediatra. Uma redução semelhante já havia sido realizada e o quadro de funcionários, que contava antes com quatro médicos clínicos, uma diarista, dois ortopedistas e dois pediatras, já estava sem ortopedistas e diarista há dois meses.
O plano contava com o aumento no número de atendimentos a pacientes, para atingir meta prevista em contrato com a Secretaria Estadual de Saúde. Insatisfeitos com as mudanças, os médicos resolveram se demitir. “Decidimos não compactuar com tal absurdo. Lutamos para oferecer medicina de qualidade, apesar da necessidade de atendimento de uma demanda altíssima de pacientes. Não aceitamos que os pacientes sofram ainda mais com a má gestão do SUS”, diz o texto assinado por um dos médicos.
A administração da UPA explicou que a unidade passa por uma reestruturação, mas que o expediente ainda está sendo definido. Já a Secretaria Estadual de Saúde informou, por nota, que começou a regularizar os repasses para a unidade e que vem dialogando com a coordenação do serviço, para que seja garantida a assistência aos pacientes com os devidos insumos e equipe médica adequada à demanda da UPA.
Fonte: Jornal do Commercio



