Menos saúde

O problema da saúde no Brasil é complexo. Para ninguém, não é de hoje que o nosso país enfrenta enormes barreiras para ter uma saúde pública decente. O Brasil vive problemas crônicos com uma medicina julgada deficitária. Déficit de profissionais da saúde. De hospitais, de postos e unidades de saúde. De assistentes e técnicos em saúde coletiva. Há, todavia, centros médicos de ponta como São Paulo, o melhor na América Latina.

Há, no entanto, carências de tal magnitude que atestam a miserabilidade em que vive o povo brasileiro. Nas periferias das áreas metropolitanas, nas cidades de porte médio e no interior de todas as regiões geográficas. Há uma concentração de médicos ao redor dos grandes aglomerados urbanos do país. Mas, há falta dos profissionais, além das condições precárias para o exercício digno da profissão. Laboratórios. Leitos. Ambulatórios. Medicamentos.

O Programa Mais Médicos é uma decisão política. Eleitoral. Importa profissionais, geralmente da América Latina. Dispensando o obrigatório Revalida. Sistema que se encarregaria de avaliar todos os diplomados no exterior. Seja brasileiro, ou não.

Os cubanos, então. Há uma séria discussão sobre se a contratação terceirizada via OPAS – Organização Pan-americana para Assunto da Saúde fere, ou não, os Direitos Humanos. Por sua vez, a vice-ministra da Saúde de Cuba, Márcia Cobas, declara que os patrícios não estão desempregados e são movidos, unicamente, pelo sentimento de solidariedade. Aqui, eles não poderão abrir consultórios, prestar quaisquer outros serviços médicos, inclusive plantões que não estejam subordinados ao Programa Mais Médicos. Terão sua vida particular controlada, e não poderão solicitar asilo.

Tem se falado sobre a comunicação com os pacientes. Preconceito contra o povo nordestino. Nada que, com boa vontade, não possa esclarecer que os nossos bravos quando falam nos meses de Maria, São João e Santana não estejam se referindo a maio, junho e julho. Logo, se acostumarão com os termos: gota serena, doente do juízo, cagança, etc. Quase um dialeto sertanejo.

O mais importante é que sem as verdadeiras condições de praticar uma medicina efetiva, findo o prazo dos três anos, os médicos voltarão aos seus países e nós, brasileiros, constataremos que o balanço poderá apontar: “Mais médicos, menos saúde”.

*Empresário e jornalista – frupel@uol.com.br

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