Ministério da Saúde e Unicef promovem oficinas de vigilância alimentar e nutricional em aldeias indígenas

O Ministério da Saúde e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) deram as mãos e iniciaram, neste mês de dezembro, um projeto piloto com o objetivo de criar estratégias que permitam melhorar o estado nutricional das crianças indígenas menores de cinco anos, em cinco regiões avaliadas como prioritárias, por apresentarem os índices mais preocupantes de desnutrição infantil.

O projeto consiste na realização de oficinas que visam o desenvolvimento de competências de famílias indígenas para o Direito Humano à Alimentação Adequada e à Segurança Alimentar. Nessas oficinas, os participantes, além de discutirem sobre os indicadores de saúde e os múltiplos fatores que levam à desnutrição infantil naquela comunidade, também constroem modelos para intervir diretamente nos hábitos alimentares, sugerindo ou incrementando novas receitas que permitam melhorar a qualidade da alimentação.

Para o sucesso da ação, todos os atores são envolvidos nas oficinas, desde as Equipes Multidisciplinares de Saúde Indígena (EMSI) que atendem àquela respectiva comunidade, até a própria comunidade, por meio das mulheres, professores e lideranças indígenas.

“A metodologia que estamos adotando prevê, por meio de uma construção coletiva, protagonizada pela participação da própria comunidade, a compreensão dos fatores históricos, culturais e sociais que levam à desnutrição infantil naquela localidade para, a partir daí, propor abordagens que possibilitem seu enfrentamento, estimulando a promoção da alimentação adequada e saudável entre os indígenas”, explica a nutricionista da Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI), Élida Amorim.

Para identificação de tais fatores, a oficina prevê três momentos importantes de construção coletiva. “Num primeiro instante, nós procuramos entender junto à equipe de saúde, lideranças e professores indígenas, os indicadores epidemiológicos de crianças e gestantes acompanhadas pelo Polo Base de Saúde do DSEI [Distrito Sanitário Especial Indígena]. Nos demais dias, promovemos debates e reflexões acerca dos alimentos consumidos no passado e atualmente, bem como cuidados com a alimentação pós-parto da criança e da mãe”, explica a consultora do Unicef e nutricionista Valderez Aragão.

Por meio destes debates, é possível perceber se houve e como se deu uma transição alimentar na comunidade; avaliar os fatores sociais e ambientais que estão interferindo diretamente na escassez de alimentos, caças e pesca na região; ou na introdução de outros tipos de alimentos naquela comunidade, a exemplo de industrializados.

“As causas mais frequentes de mortalidade infantil, em qualquer parte do mundo, têm sido sempre a desnutrição, a diarreia e a anemia, todas relacionadas às questões de nutrição. Para alcançarmos a meta de redução da mortalidade infantil, precisamos de uma intervenção in loco, construir abordagens e estratégias que dialoguem com aquela realidade. No nosso caso, fomos até as aldeias para desenvolver este trabalho”, explica Valderez Aragão.

OFICINAS

O primeiro DSEI a ser contemplado com o projeto das oficinas de nutrição foi o Xavante, localizado ao sul do estado do Mato Grosso (MT). A ação foi realizada entre os dias 20 e 24 de novembro, na aldeia São José, no Polo Base de Sangradouro (MT).

“Nesta primeira oficina, a participação de anciãos da comunidade foi de suma importância para retratar a transição alimentar com o aumento do consumo de produtos industrializados, com o passar dos anos. Essa transição levou à desvalorização das práticas alimentares tradicionais, que, somada a outros fatores, contribuiu para o surgimento de agravos à saúde, como o diabetes”, explica a nutricionista da SESAI, Élida Amorim.

Fonte: Assessoria de Comunicação do Ministério da Saúde

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