Idealizados com a proposta de melhorar a saúde pública em Pernambuco, os novos hospitais inaugurados a partir de 2009 na Região Metropolitana do Recife, de fato, têm mais médicos do que leitos. Entretanto, não têm contribuído para desafogar as grandes emergências do estado. Antigas unidades continuam padecendo dos mesmos problemas: falta de estrutura, carência de material e poucos profissionais. Um dos reflexos disso é a não realização de mais de três mil cirurgias eletivas, consideradas não emergenciais. Há um ano a Promotoria de Defesa da Saúde do Ministério Público de Pernambuco (MPPE) apura a demora para a realização dos procedimentos no SUS no Recife, em hospitais como o Otávio de Freitas e Restauração.
A investigação começou a partir das denúncias de familiares de pacientes que não conseguiam ser operados. O inquérito está em fase de finalização. O MPPE constatou a falta de médicos, as emergências lotadas e a escassez de material. De acordo com a promotora Helena Capela, se a Secretaria Estadual de Saúde não apresentar uma proposta ao MPPE, vai sofrer ação civil pública. Várias audiências foram promovidas com o secretário de Saúde, Antônio Figueira, a secretária-executiva, Teresa Campos, e diretores de hospitais.
“O estado deve aumentar o número de leitos de retaguarda em hospitais conveniados ao SUS para essas cirurgias. Não são só as operações de emergências que têm importância. As eletivas, quando não realizadas, comprometem a qualidade de vida das pessoas, podendo chegar à situações de emergência”, acrescentou Capela.
Velhos problemas
Criado em 1974 e dono da maior emergência do estado, o Hospital da Restauração é o terceiro com menos médicos na RMR. Tem 0,78 médicos por leito, 581 médicos e 744 leitos. Já a primeira nova unidade a ter as portas abertas, o Hospital Miguel Arraes, em Paulista, fundado em 2009, tem 1,7 médicos por leito, 203 doutores e 173 leitos. Os dados são do Cadastro Nacional dos Estabelecimentos de Saúde (CNES), do Ministério da Saúde. Todas as instituições são obrigadas a registrarem a quantidade de leitos e doutores no sistema sempre que houver mudanças. Os números citados são de janeiro de 2014.
Enquanto o Hospital Dom Helder Camara, no Cabo de Santo Agostinho, inaugurado em 2010, tem 1,31 médicos por leito (226 profissionais para 173 leitos), o Otávio de Freitas, em Tejipió, fundado em 1956, tem 0,69 médicos por leito (402 médicos para 584 leitos). O Hospital da Mirueira, em Paulista, é o que está em pior situação. A unidade existe desde 1941 e conta hoje com 25 médicos para 137 leitos. Já o Pelópidas Silveira, no Curado, terceiro a ser inaugurado pelo governo, em 2011, tem 1,05 médicos por leito (158 médicos para 150 leitos).
Cremepe
André Dubeux, vice-presidente do Cremepe, diz que os médicos são mal distribuídos em Pernambuco. Existe concentração maior de médicos na capital e mesmo assim faltam médicos nos grandes hospitais públicos, por causa das condições. Os profissionais preferem a rede privada, com todos os recursos, apesar dos planos de saúde. Falta laboratório, material de trabalho, insumos, exames complementares radiológicos, transporte, local de repouso, segurança. A secretaria também informou que a direção do Otávio de Freitas reconhece a grande demanda na unidade, atribuída ao crescimento de acidentes de trânsito.
Fonte: Diario de Pernambuco



