Moradores de Caruaru vivem dia de pânico por boatos de ebola

Uma unidade de saúde fechada. Uma cidade em polvorosa. A população de Caruaru, o Agreste do Estado, viveu momentos de pânico ontem. Eram 9h quando o auxiliar de construção civil Geraldo Vesceslau, 44 anos, chegou à UPA o Vassoural, localizada próxima ao Centro. Estava com febre e dor nas articulações e a cabeça. Na consulta, Geraldo contou que tinha chegado a Guiné Equatorial, país da África Ocidental, na terça-feira a semana passada. Foi o suficiente. O alerta de ebola foi dado. O atendimento foi suspenso. Geraldo, a esposa e os profissionais que o haviam tendido foram isolados. A Secretaria Estadual de Saúde foi acionada. Os boatos correram cidade. Mesmo após a doença ser descartada, com a suspeita já recaindo sobre dengue, chikungunya ou leptospirose, havia caruaruense com medo. O burburinho começou logo quando a unidade de saúde foi isolada. “Vimos o povo voltando dizendo que não estavam atendendo, depois vimos dois guardas municipais impedindo que as pessoas passassem pela frente do local, eles estavam com máscaras no rosto, então vimos que era coisa séria”, relatou uma moradora do bairro Vassoural, onde está localizada UPA. O boato logo se espalhou e o medo das pessoas aumentou. Givanildo Ferreira, de 38 anos, que trabalha como taxista na frente da UPA, contou que ele e os colegas ficaram assustados. “Saí numa corrida, quando cheguei não tinha mais ninguém, todos os colegas tinham saído para lavar os caros e tomar banho. Fui procurar saber e disseram que um homem estava com ebola”, contou.

O comerciante José Manoel Tavares, 51 anos, lamentou o corrido. “Seria muito azar que o primeiro caso da doença fosse logo aqui, em Caruaru. Tá todo mundo com medo. A gente fica apreensivo, fica esperando chegar ais informações. Estamos torcendo para que não seja o ebola”, disse.

Suspeita recai sobre outras três doenças

Descartada o ebola e com dois exames negativos para malária, médicos do Hospital Universitário Oswaldo Cruz (HUOC), para onde o paciente foi transferido ontem à tarde, passaram a considerar as chances do auxiliar de construção civil Geraldo Vesceslau estar com dengue, febre chikungunya ou até leptospirose.

Exames de sangue indicaram queda de plaquetas no caruaruense o que clinicamente ligariam o caso dele mais provavelmente à dengue ou chikungunya que têm alta incidência na África. Mesmo assim, Vesceslau permanecerá internado no setor de infectologia do hospital até hoje. O tratamento básico é a hidratação com soro.

O infectologista Filipe Prohaska recebeu o paciente por volta das 17h10, que seguiu para o isolamento só por precaução. “Os sintomas começaram ontem. Mas ele não tinha sinal algum de hemorragia, nem de diarreia que são clássicos para o ebola. Ele está bem e estável. É um paciente que não teria necessidade de ficar internado. Mas vamos aguardar 12h”, comentou o médico.

A hipótese de malária foi levantada ainda em Caruaru já que o continente africano é endêmico. Foi refeito teste para a doença no Recife, mas ambos não indicaram o mal. O diagnóstico final do paciente só deve ser divulgado hoje, por volta do meio dia, quando serão refeitos novos exames de sangue e bacteriológicos. Os exames sorológicos para dengue e chikungunya só confirmam com precisão a doença em cinco dias do aparecimento dos sintomas, mas comparações dos exames de sangue podem direcionar o diagnóstico.

PROTOCOLO

“Se o profissional de saúde teve dúvida, fez o correto. Isolou e entrou em contato com a Secretaria Estadual de Saúde (SES). Quando a gente viu que ele não vinha de área com ebola não precisamos fazer a sequência de todo protocolo porque não havia necessidade”, comentou o chefe do setor de Infectologia do HUOC, Demetrius Montenegro. Esse protocolo preconizado pelo Ministério da Saúde (MS) e Organização Mundial de Saúde (OMS) inclui além do isolamento do paciente o acionamento da SES, do Samu, de aeronave da Força Nacional e o traslado da pessoa ao hospital nacional de referência que fica no Rio de Janeiro. “Toda confusão se deu porque na África existem três países com o mesmo nome. Tem a Guiné Bissau, Guiné Equatorial e Guiné. A epidemia de ebola está ocorrendo na Guiné, Serra Leoa e Libéria. Nas outras duas Guiné não há nenhum caso da doença”, comentou sobre o episódio de ontem.

“Sempre achei que era virose”

“Por que seu marido procuro ajuda médica? Na segunda-feira ele começou a sentir os primeiros sintomas. Dor de cabeça e febre Fomos primeiro na UPA do Estado, mas tinha muita gente não quis esperar. Fomos para a UPA do Vassoural. Ele já chego dizendo que tinha vindo da África. Isolaram a gente. Não deixaram a gente sair.

Qual foi sua reação? Fiquei assustada. Todo mundo na UPA ficou. Ainda tente dizer que não era nada de ebola. Sempre achei que meu marido tinha só uma virose.

O que ele fazia na África? Ele trabalha na construção civil lá já faz uns seis anos Vinha de três em três meses nos visitar e ficava 15 dias aqui em Caruaru. Inclusive, ele j teve até malária quando estava trabalhando lá.

Fonte: Folha de Pernambuco

Compartilhe:

Deixe um comentário

Fique por dentro

Notícias relacionadas