ALAGOAS Adolescente Letícia Soares Rodrigues, que surpreendeu médicos do mundo todo por sobreviver 15 anos com hidranencefalia, faleceu na madrugada de domingo, em Maceió
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MACEIÓ – A adolescente alagoana Letícia Soares Rodrigues morreu, na madrugada de anteontem, depois de viver 15 anos com hidranencefalia. A menina foi símbolo da campanha contra o aborto de fetos anencéfalos e surpreendeu a medicina nacional e internacional pelo tempo em que conseguiu viver com uma patologia tão rara. A garota tem recebido diversas homenagens nas redes sociais.
A hidranencefalia é uma anormalidade na qual os hemisférios cerebrais não estão presentes e são substituídos por sacos cheios de líquido cérebro-espinhal. O caso de Letícia era estudado na literatura médica, já que ela foi a pessoa que por mais tempo viveu com a hidranencefalia.
Os portadores da doença congênita costumam chegar a no máximo 3 anos de idade. Por isso, a menina foi símbolo da campanha contra a legalização do aborto de anencéfalos, que foi autorizado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em abril do ano passado. A discussão sobre o tema durou oito anos e a corte entendeu que um feto com anencefalia é natimorto e, portanto, a interrupção da gravidez nesses casos não é comparada ao aborto, considerado crime pelo Código Penal.
CASO
Letícia Soares Rodrigues era filha adotiva do casal Jorge e Márcia Rodrigues. A adolescente havia sido abandonada no bairro do Vergel do Lago, na capital alagoana, e levada para um orfanato da cidade. Outro casal chegou a adotá-la, mas depois de perceber que o bebê era portador da doença desistiu da adoção. Aos seis meses, Letícia foi adotada pelo casal que acompanhou sua luta pela vida durante 15 anos.
A morte de Letícia ganhou repercussão nas redes sociais, com postagens de força para a família e mostrando que não há limites para a luta pela vida. Ela passou por oito cirurgias e viveu com alegria ao lado dos familiares, mesmo com várias limitações físicas. O corpo de Letícia foi sepultado domingo à tarde em clima de muita comoção no Cemitério Parque das Flores, em Maceió.
Fonte: Jornal do Commercio



