Morte à espera de atendimento

Duas filhas e um genro da paciente do Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc) Tânia Maria Gomes, 58 anos, assistiram-na morrer dentro de um táxi na porta do Centro de Oncologia da unidade. Após quase duas horas e meia de espera por atendimento que não vinha, ela só conseguiu entrar pela porta que ninguém queria ver: a do necrotério. A família garante que processará o Estado pela humilhação e pelo socorro negado nos últimos minutos de vida da mulher.

Eram 5h30 quando a família partiu de Areias, na Zona Oeste, e venceu dez quilômetros para dar de cara com a falta de médicos. Passaram-se 25 minutos de agonia dentro do carro até perceberem que não havia mais tempo. Mas foi preciso aguardar duas horas até que uma médica, que chegava para trabalhar, atestasse a morte.

 

Tânia tinha câncer de fígado e havia passado dois meses internada no Huoc. Há 15 dias estava em casa. “Mas os médicos do Oswaldo Cruz nos avisaram que, caso ela passasse mal, deveria ser levada para lá mesmo. Foi o procedimento que seguimos quando ela sentiu uma dor no peito, em vez ir a uma UPA ou a um hospital mais próximo de casa”, contou o genro da vítima, Sérgio Paulino.

 

Apesar de haver uma médica de plantão na hora em que a paciente chegou ao hospital, o socorro chegou quando ela já havia ido a óbito. A partir daí o suplício dos parentes só aumentou. Tiveram que esperar por um médico que autorizasse a retirada de Tânia do táxi. “Mas nós que tivemos de levá-la até a porta do necrotério. Chegando lá, ela passou uma hora ainda dentro do táxi e só foram nos atender depois que chamei a polícia e a imprensa”, disse Sérgio.

 

O corpo de Tânia foi sepultado no fim da tarde no Cemitério do Pacheco. Amigos e parentes estavam indignados. “Não se trata nem um cachorro como trataram Tânia”, revoltou-se a amiga Zoraia Melo. A família decidiu não se calar. “Vamos processar o Estado para que isso não aconteça com outras pessoas”, afirmou o genro.

 

Em nota, a direção do Huoc informa que “vai apurar os fatos com rigor” e identificar os culpados.

Fonte: Jornal do Commercio

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