A doméstica Tânia Maria Gomes de Arruda, 52 anos, saiu de casa ontem para enfrentrar mais um dia na luta contra os cânceres de boca e fígado que a acompanhavam há três meses. Perdeu a batalha. Três horas antes da realização de uma coletiva para anúncio de melhorias na infraestrutura e quadro de funcionário do Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc), Tânia chegou ao local com dores no peito. Passou cerca de 25 minutos dentro do táxi à espera de um funcionário para retirá-la. Segundo a família, não recebeu atendimento e faleceu no veículo. Assim como a doméstica, a cada mês, cerca de 12,5 mil pessoas estão sem realizar tratamento médico adequado no local, após mais de 115 leitos terem sido desativados e três dos 11 pavilhões terem fechados. A situação gerou protesto dos estudantes e é atribuída à má gestão.
A paciente, que se tratava no Huoc desde que descobriu a doença, chegou ao hospital por volta das 6h. Ficou no táxi enquanto o genro e um dos sete filhos procuravam ajuda. Eles contaram que encontraram enfermeiros, um maqueiro e um médico, que alegaram “não poder fazer nada”. Quando alguém teria se aproximado de Tânia, o táxi já estava em frente ao necrotério, para retirada do cadáver. “É revoltante. Vamos entrar na Justiça”, reclamou o genro da doméstica, Sérgio Silva, 39. O hospital informou que está apurando o fato e punirá os culpados.
O Huoc funciona atualmente com 75% da capacidade e passa por dificuldades financeiras e de gestão. O déficit no número de funcionários foi desencadeado após o Tribunal de Contas de Pernambuco negar capital para pagamento dos plantões extras. Ontem foram anunciados concursos públicos e seleções simplificadas para preenchimento de 360 vagas. Também foram citadas obras estruturais. Mas elas não acontecerão imediatamente, a contragosto de pacientes, estudantes e profissionais da unidade, que realizaram um protesto ontem em frente à Secretaria de Ciência e Tecnologia (Sectma).
Até dezembro, deve ser escolhida a empresa de engenharia que apresentará o projeto de manutenção da parte estrutural dos 15 prédios do hospital. A obra deve demorar cerca de dois anos. A estimativa de investimento é de R$ 21,5 milhões. Um projeto anterior de R$ 35 milhões, feito pela direção do Huoc, foi negado pela Sectma. Será criado ainda um Conselho Administrativo para gestão dos hospitais universitários vinculados à UPE: Procape, Cisam e Huoc. Com 17 membros e mandato variável de 1 a 4 anos, o grupo será submetido à tutela do Conselho Universitário. “É um passo importante para os hospitais universitários, que vêm passando por um longo período de gestões atrasadas”, afirmou o secretário da Sectma, Marcelino Granja.
Situação atual do Huoc
50 mil pessoas eram atendidas por mês
400 leitos é a capacidade de atendimento
258 estão funcionando
37,5 mil estão sendo atendidas no momento
6 anos é o prríodo em que não é realizado concurso para profissionais de saúde no hospital
Novo concurso (*)
360 vagas serão oferecidas no Huoc por meio de concurso público e seleção simplificada
95 para pessoas com nível médio
95 médicos
170 técnicos de enfermagem
R$ 5 milhões são as despesas mensais do hospital
O hospital
O Huoc recebe apoio financeiro do Sistema Único de Saúde e do MEC
O Pronto de Socorro Cardiológico Universitário de Pernambuco (Procape), o Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros (Cisam) e o Hospital Oswaldo Cruz (Huoc) passarão a formar um Complexo Hospitalar Universitário
(*) Secretaria de Ciência e tecnologia deverá publicar mais informações sobre o concurso até a próxima sexta-feira
Fonte: Diariode Pernambuco/ com informações Direção e Assessoria de Imprensa do Huoc



