Dois irmãos de 19 anos estão internados no Hospital Oswaldo Cruz. Caçula não resistiu e morreu no sábado passado
Dois irmãos de 19 anos estão internados no Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc), em Santo Amaro, no Recife, com suspeita de difteria. Eles são moradores da Zona Rural de Salgueiro, Sertão de Pernambuco. Os gêmeos Cosme e Damião Sigernando da Silva deram entrada na unidade no último sábado. Outro irmão deles, Paulo Sigernando da Silva, 17, morreu na madrugada do mesmo dia também com suspeita da doença. O garoto não chegou a ser atendido no Huoc. Ele morreu em uma unidade de saúde de Salgueiro.
A doença estava praticamente erradicada no Brasil a apartir dos anos 2000. Em Pernambuco, o último óbito por difteria ocorreu em 2003, no Recife. Mas o estado registrou outros sete casos nos últimos oito anos, sendo um em 2007, outro em 2013, mais um em 2014 e quatro este ano. Os quatro casos registrados em 2015 foram na cidade de Chã Grande, na Zona da Mata Sul, distante 83 quilômetros do Recife.
Hoje pela manhã, o hospital vai conceder uma entrevista coletiva para detalhar os casos e a doença. De acordo com as informações da unidade, exames estão sendo feitos com o intuito de confirmar se os gêmeos e o irmão deles contraíram a doença.
No boletim médico divulgado ontem pelo Oswaldo Cruz, a situação dos gêmeos era estável e de bom estado geral. A difteria é causada por uma bactéria que produz uma toxina e atinge o sistema respiratório e pode causar complicações cardíacas. É transmitida em geral pela respiração.
A enfermidade passou a ser combatida no Brasil no início da década de 1970, quando foi instituído o Programa Nacional de Imunizações que combate, entre outras, doenças como tétano, coqueluche, sarampo, rubéola, meningite e hepatite. Nas décadas de 1980 e 1990 os casos começaram a diminuir no país.
Investigação
De acordo com a gerente de Vigilância das Doenças Imunopreveníveis da Secretaria Estadual de Saúde (SES), Ana Antunes, a situação de Chã Grande está sendo investigada pelo estado para saber de onde surgiram os novos casos. “Pessoas podem ter a bactéria e transmiti-la sem estar doente. É o que chamamos de portador sadio, que não ficou doente ou por ter tomado a vacina ou porque tem boa imunidade”, afirmou Ana Antunes. Ainda de acordo com ela, apesar de pessoas vacinadas serem capazes de passar a bactéria, essa transmissão tem risco menor por causa do tempo que a bactéria fica no organismo da pessoa imunizada.
Fonte: Diario de Pernambuco



