BRASÍLIA – O número de motociclistas mortos em acidentes no Brasil subiu 932,1% entre 1996 e 2011, o que faz dos usuários de moto as maiores vítimas no trânsito. O retrato dessa epidemia letal por ruas e estradas do País está no Mapa da violência 2013 – Acidentes de trânsito e motocicletas, um levantamento estatístico com base em registros de óbito do Ministério da Saúde, lançado ontem.
Em 2011, os motociclistas e seus passageiros que perderam a vida em acidentes responderam por um terço do total de óbitos no trânsito. De 43 mil vítimas, nada menos do que 14,6 mil estavam sobre motos ou triciclos. O segundo segmento com maior aumento de vítimas foi o dos ciclistas, com acréscimo de 203,9% e 1,8 mil mortos em 2011.
Pernambuco é um dos nove Estados onde as mortes de motociclistas já representavam, dois anos atrás, mais da metade do total de mortes em acidentes de trânsito. Foram 1.170 mortes de um total de 1.969. (53,9%). Dentre as vítimas que andavam de moto, o Rio de Janeiro tinha a terceira menor taxa do País em 2011 (3,8 por 100 mil habitantes), atrás só de Acre e Amapá. O Piauí tinha a maior taxa: 30,4.
No Brasil, o segundo grupo com maior número de mortos em 2011 foi o de ocupantes de carros: 12,4 mil, ou 28,7% do total. Em terceiro lugar, os pedestres, que eram as principais vítimas do trânsito até 2008 e, em 2011, ficaram atrás de usuários de motos e carros, com 11,8 mil óbitos.
Em 1996, primeiro ano em que o Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) especificou os registros de óbitos de motociclistas, morreram 1.421 usuários de moto. Esse número subiu para 5,4 mil em 2000, até alcançar 11.839 em 2009, quando motociclistas passaram a ser o grupo com mais vítimas. “A motocicleta virou o carro dos pobres”, diz o sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz, autor do estudo.
De acordo com o mapa, havia 4 milhões de motos no Brasil em 2000, 13,6% do total de veículos. Esse número saltou para 18,4 milhões, ou 26,1% da frota, em 2011. Ao cruzar dados da frota com as taxas de mortalidade, Jacobo constatou que o número de óbitos de usuários de moto cresceu mais que a quantidade de motocicletas em circulação. Com os carros, ocorreu o inverso. Ou seja, o risco de andar de moto aumentou.
Enquanto os óbitos de usuários de moto cresceram 932,1% no período analisado, as mortes de ocupantes de carros subiram 72,9% e as de pedestres caíram 52,1%. O mapa estima que o custo decorrente dos acidentes de trânsito no País, em 2011, tenha atingido R$ 44,6 bilhões, incluindo as despesas com 159 mil internações hospitalares no SUS.
Fonte: Jornal do Commercio



