Clima contribui para aumento de casos de alergias respiratórias

Joseanne, Vanessa e Luciana. Mulheres de diferentes áreas do Recife, mas que compartilham o mesmo problema: alergias respiratórias. As mudanças climáticas e a umidade do ar refletem nos números de casos. Isso se deve porque, de acordo com o otorrinolaringologista Fernando Leão, há um aumento da incidência de infecções de vias aéreas que desencadeiam essas crises. “É só alterar um pouco o clima que a garganta já começa a coçar”, relata a jornalista Vanessa Mota.

A rinite é a alergia que mais acomete a população recifense. Segundo o Estudo Multicêntrico Internacional de Asma e Alergia (ISAAC), a prevalência da doença inflamatória chega a 30% na capital. Obstrução nasal, olhos irritados, coriza, espirros e coceira no nariz são alguns dos sintomas. “Se persistir por muito tempo, também sinto dores no corpo”, comenta a secretária Joseanne Carla. O especialista Fernando Leão atenta a exposição às substâncias que causam alergia. “Se o paciente for alérgico a ácaro, deverá revestir o colchão e travesseiro com capas impermeáveis que cubram toda a superfície”.

Outros cuidados são necessários para evitar crises alérgicas. “Eu evito alimentos ou bebidas geladas à noite ou ficar exposta na chuva. O ar condicionado seria bom evitar, mas é difícil por causa do trabalho”, comenta Joseanne. Para a relações públicas Luciana Monteiro, a atenção se volta para a umidade. “Procuro verificar no meu quarto e no meu guarda roupa a existência de mofo”.

Tanto Joseanne, Vanessa e Luciana já foram para o hospital por conta dos sintomas da sinusite. “Fiquei com o rosto inchado e com dificuldade para respirar”, comenta Luciana. Já Vanessa, o cuidado com a alergia só é dado quando ela passa por crise. “Como as alergias chegam assim, de surpresa, sempre trato como um resfriado normal, mas sempre paro na emergência”, explica a jornalista.

Segundo o otorrinolaringologista, caso os sintomas da alergia não sejam tratados, o paciente pode ter complicações como rinosinusite e obstrução do sono. “No primeiro caso, é a obstrução definitiva da drenagem dos seios da face que necessita de correção cirúrgica endoscópica. Já a perda da qualidade de sono se deve ao aparecimento de ronco e apneia”, explica Fernando Leão.

De acordo com o especialista, o tratamento medicado é determinado pelos sintomas que predominam no paciente e na intensidade e frequência que ocorrem. “Em determinados casos, a cirurgia poderá ser indicada. Mas nem ela, nem as medicações atualmente curam a rinite alérgica e a principal função da intervenção é trazer o paciente para uma condição novamente responsiva às medicações, bem como reverter as complicações”, explica o médico.

Folha de Pernambuco

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