É difícil se colocar no lugar de quem não consegue ao menos o básico, na rede pública de saúde. Porque parece irreal que mesmo estando em filas logo nas primeiras horas da manhã, para apanhar ficha de marcação de consulta, muita gente volte para casa de mãos abanando. Caso de uma senhora que mora em Sítio Grande (Imbiribeira). Foi atendida na Santa Casa de Misericórdia, por um gastroenterologista (que levou dois minutos no atendimento, sem olhar para ela) e depois encaminhada ao Hospital Barão de Lucena, onde marcaria consulta com um proctologista para conseguir dele a requisição de um exame de colonoscopia. Vamos chamar a “paciente” de Rosa, porque a mulher teme ser identificada e sofrer alguma retaliação quando precisar de novo atendimento. Então: Rosa entrou na fila às 5h20 do dia 27 de novembro de 2012, para conseguir uma das 400 fichas, e recebeu a de número 153. Saiu pouco depois do meio-dia, com um papel que informava a consulta para 12 de março de 2013. Com um certo alívio, confidenciou: “Tem gente que espera um ano e dois meses por uma consulta com o reumatologista”. Rosa mora no Recife, mas e quando a paciente precisa se deslocar de Tacaratu (Sertão) para atendimento no IMIP? agora é Maria de Lurdes que está aflita porque teve consulta com a ginecologista em fevereiro de 2011 e não consegue mais marcar a volta, enquanto seu estado de saúde piora. A indignação aumenta quando a comerciante toma para si as dores da vizinha, que tem uma criança com problema ortopédico grave e também tenta em vão marcar o retorno. O menino deveria estar outra vez na frente do especialista um ano depois do primeiro encontro, ocorrido em 21 de novembro de 2011, mas aos oito dias de janeiro de 2013 nem mesmo um contato telefônico com o hospital se completa. Maria de Lurdes já acionou a ouvidoria da casa e até tentou contato com a superintendência, porém nada obteve de promessa. O remédio é chorar.
Fonte: Diario Urbano do Diario de Pernambuco



