Mulheres morrem mais de infarto

Elas lutaram durante décadas para conquistar espaço no mercado de trabalho. Hoje, brigam em pé de igualdade com os homens por postos cada vez mais altos nas empresas. Com o passar dos anos e o aumento de funções, as mulheres entraram ainda para um seleto grupo masculino: o das pessoas que mais infartam no país. Dados da Sociedade Brasileira de Cardiologia alertam que, atualmente, pessoas do sexo feminino têm, aos 45 anos, 30 vezes mais chance de infartar do que os homens. Em Pernambuco, a realidade é semelhante. Apenas em 2010 (último ano contabilizado pela Secretaria Estadual de Saúde), 5.336 mulheres morreram depois de infartarem. No mesmo ano, foram 2.941 homens.

Na década de 1950, nove em cada dez infartados eram homens – e quem preenchia a última vaga era quase sempre uma idosa. Atualmente, os médicos não se surpreendem quando a paciente é uma mulher com menos de 40 anos. “Temos atendido cada vez mais mulheres com infarto em idade cada vez mais precoce”, afirmou o cardiologista Sérgio Montenegro, diretor do Pronto-Socorro Cardiológico de Pernambuco (Procape), principal hospital de cardiologia do estado. Para cada seis homens infartados, há quatro mulheres com o mesmo problema nos dias de hoje. As mulheres contam, até a menopausa, com uma proteção natural inexistente no metabolismo masculino: o estrógeno, hormônio sexual produzido nos ovários. A presença do estrógeno no sangue reduz os níveis de colesterol “ruim” (o LDL e o VLDL) e aumenta os de colesterol “bom” (HDL), ajudando a preservar a parte interna das artérias. O cardiologista Edgard Pessoa de Mello observou que o uso abusivo de hormônios contraceptivos tem diminuído essa proteção natural. “Os anticoncepcionais, o fumo e o estresse são os principais vilões do coração das mulheres”, pontuou. Segundo os médicos, é importante  observar os chamados fatores de risco. “As mulheres que têm mais chances de ter doença cardíaca – com histórico na família, portadora de diabetes ou hipertensão – devem ser mais cautelosas e fazer exames regularmente. Em qualquer caso, a visita constante ao médico é essencial”, destacou Montenegro. O médico informou que o risco de infarto é 20% maior entre o público feminino dos 40 aos 65 anos. A aposentada Dulcineia Gomes, 64 anos, voltou ao Procape após o terceiro infarto. Já teve quatro cateteres implantados, fez três angioplastias e foi socorrida “inúmeras vezes” com problemas no coração. “Já perdi as contas de quantas vezes baixei no hospital por causa do coração. Trabalhei por 30 anos para sustentar meus seis filhos e hoje sofro as consequências do estresse por ter que cuidar da casa, dos filhos e netos e ainda trabalhar”, contou.

Fonte: Diario de Pernambuco

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