Mulheres são mais suscetíveis ao zika

SÃO PAULO – Os vírus de RNA, como o zika, enfraquecem o sistema imunológico vaginal, retardando a resposta das defesas do corpo à infecção e dificultando a detecção do vírus na vagina – o que pode aumentar o risco de infecção do feto durante a gravidez. A conclusão é de um estudo publicado ontem na revista Journal of Experimental Medicine.

No próximo domingo o governo federal deve fazer o lançamento oficial da campanha do Dia “D”, com mobilização nacional contra a proliferação e pela eliminação dos focos do mosquito Aedes aegypti, transmissor da zika, dengue e chicungunha. É no verão que o mosquito encontra o clima ideal para se reproduzir. O Brasil é o país com o maior índice de contaminação por zika que pode provocar a microcefalia em fetos de mães infectadas.

O novo estudo foi liderado por cientistas dos Institutos Gladstone, ligados à Universidade da Califórnia em São Francisco (Estados Unidos). De acordo com os autores do artigo, a descoberta sugere que as mulheres são mais suscetíveis à transmissão sexual de vírus de RNA e que elas têm mais dificuldade que os homens para eliminar a infecção do organismo. “Nossa pesquisa reforça os estudos epidemiológicos que mostram que as mulheres têm um risco maior de infecção por zika. Além disso, o amortecimento da resposta imune vaginal é especialmente preocupante, porque dá ao vírus mais tempo para se espalhar e chegar ao feto, se a mulher estiver grávida ou engravidar durante a infecção”, disse o autor principal da pesquisa, Shomyseh Sanjabi.

“Há algo único acontecendo no trato reprodutivo feminino, que faz com que as mulheres sejam particularmente vulneráveis aos vírus de RNA. Nosso próximo objetivo é descobrir por que isso acontece – se é um mecanismo de defesa liberado pelos próprios patógenos, ou uma lacuna imunológica no tecido vaginal”, disse Sanjabi.

Fonte: Jornal do Commercio

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