Um mutirão de neurocirurgia, para reduzir a fila de espera pelo tratamento no Hospital da Restauração, no Recife, é uma das prioridades anunciadas, ontem, pelo novo secretário estadual de Saúde, médico Antônio Carlos Figueira. A expectativa é iniciar a ação até fevereiro, com a colaboração de outros grandes hospitais estaduais e até mesmo dos que não fazem parte do SUS. Figueira já escolheu um novo diretor para o HR, o cirurgião-geral Miguel Arcanjo, e quer entregar ainda este semestre, à Secretaria de Saúde do Recife, a gestão dos hospitais estaduais de Areias e Ulysses Pernambucano.
O ex-presidente do Imip adiantou as medidas após a cerimônia de transmissão de cargo, em que defendeu diálogo e pacto com os municípios para melhoria da atenção primária, além da busca de mais recursos para o SUS. “Visitarei todos os municípios pernambucanos. Minha presença no interior será constante. Também já pedi audiência com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha”, garantiu. Figueira quer assegurar o credenciamento de novos serviços de saúde. As três Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) a serem inauguradas este trimestre no Cabo de Santo Agostinho, em Casa Amarela e no Ibura representam aos cofres do Estado uma despesa adicional, por mês, de R$ 2,5 milhões. Daí a urgência em credenciá-las, para que parte do financiamento fique por conta do Ministério da Saúde.
Embora tenha sido tentada no primeiro ano da gestão Eduardo Campos, a relação da Secretaria Estadual de Saúde (SES) com as prefeituras foi alvo de críticas, pelo distanciamento. Só em 2010, já sob o comando do auditor fiscal Frederico Amâncio, a SES retomou diálogo mais frequente e produtivo com os secretários municipais, firmando pacto pela saúde com 90 cidades. Embora seja de responsabilidade dos municípios, a atenção primária requer regulação e apoio do Estado.
Uma reunião está sendo agendada entre a SES e o Conselho dos Secretários Municipais. Entre os assessores diretos, Figueira deu preferência a auxiliares do Imip e pessoas com experiência na gestão municipal, como Tereza Campos, que comandou a Secretaria de Saúde do Recife no fim da gestão de João Paulo, Reneide Muniz, ex-secretária de Itapissuma e Camaragibe em décadas anteriores, e Ana Paula Sóter, ex-secretária de Olinda nos anos 90. Tereza será a secretária-executiva de Assistência, Reneide, a de Regulação e Ana Paula, a coordenadora de todas as secretarias executivas.
Outro desafio com atenção imediata, segundo o secretário, são a assistência neonatal e a gestação de alto risco, onde há estrangulamento por causa do número insuficiente de leitos de UTI para recém-nascidos. Em breve será inaugurada a UTI externa no Hospital Barão de Lucena, na Zona Oeste.
A transmissão de cargo lotou auditório e corredores da SES, no Bongi. O auditor de carreira Frederico Amâncio, que deixou o cargo e foi elogiado por ter privilegiado o trabalho em equipe, considerou a mudança do modelo de gestão da SES e da rede como a realização mais importante. Disse que gostaria de ter feito mais pela atenção primária. “Sinto-me muito mais servidor público depois de ter passado pela Saúde. Quem fala mal do SUS não sabe a importância que ele tem”, avaliou. Segundo ele, o Estado passou a investir quase 17% do orçamento em saúde. “O futuro reserva resultados muito melhores.”
Fonte: JC



