Na esclerose múltipla, rede pública é mais efetiva do que particular

Se o tratamento contra o câncer costuma ser mais moderno e completo para os clientes de planos de saúde, no caso da esclerose múltipla é o Sistema Único de Saúde (SUS) o responsável por oferecer assistência a todos os pacientes com a doença, sejam eles usuários da rede pública ou privada.

Isso porque os tratamentos para esclerose não estão no rol de cobertura mínima da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que define o que deve ser custeado pelos convênios médicos.

“A grande vantagem do SUS no caso da esclerose múltipla é que ele é, hoje, o grande pagador do tratamento, já que a gente não consegue absolutamente nada pela ANS. Se o paciente tivesse de comprar os medicamentos, ele gastaria de R$ 5 mil a R$ 10 mil todo mês, ou seja, seria inviável. Nesse aspecto, o SUS é excelente porque ele fornece o tratamento e a gente não tem uma dificuldade muito grande de conseguir”, disse Jefferson Becker, presidente do Comitê Brasileiro de Tratamento e Pesquisa em Esclerose Múltipla, também presente no Fórum Estadão Saúde.

Apesar de o tratamento ser acessível a todos, o especialista explica que os protocolos do SUS dão pouca autonomia ao médico para tratar de forma individualizada pacientes com diferentes quadros da doença.

“A parte ruim é que o tratamento no SUS é engessado. O protocolo define que o paciente tem de começar obrigatoriamente com determinadas classes de medicamento e só pode migrar para outro se o primeiro não estiver funcionando. Mas, às vezes, o paciente é grave e dar aquele tratamento inicial é condená-lo a ter sequelas grandes num futuro próximo”, afirma.

A estimativa do médico é que cerca de 30 mil pessoas tenham esclerose múltipla no País.

CONHECENDO A DOENÇA

 O que é Doença em que o sistema imunológico corrói as bainhas protetoras que cobrem os nervos. Não tem cura.

Abrangência Estima-se que a doença atinja, em média, 15 pessoas em cada 100 mil habitantes.

 Perfil dos pacientes A esclerose múltipla afeta principalmente as mulheres, e os pacientes costumam ter entre 20 anos e 40 anos, fase em que estão no auge da produtividade. Se não for tratada, pode ser incapacitante.

 Sintomas Estão listados 86 sintomas, como perda visual de um olho, desequilíbrio, perda de força, descontrole de urina, fadiga e comprometimento da coordenação motora. Os sintomas, sua gravidade e duração variam conforme a pessoa.

Tratamento Fisioterapia e medicamentos que inibem o sistema imunológico podem ajudar contra os sintomas e retardar a progressão da doença.

Fone: O Estado de São Paulo.

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