Na fila dos desesperados

Nos últimos tempos, não têm sido poucas as reclamações contra a falta de remédios indispensáveis na Farmácia do Estado. Entre os prejudicados, pessoas com doença obstrutiva crônica pulmonar e outras que ficaram impedidas até de andar, depois que desapareceu das prateleiras medicação específica para artrite. E quando o problema chega a pacientes transplantados, que têm saúde frágil e vivem na corda bamba? Eis uma história com 50 tons de desespero: salvo por um transplante renal, há 14 anos, F.A. não tem recursos para adquirir regularmente a medicação (de alto custo) de que necessita, a fim de evitar rejeição do órgão recebido e continuar sobrevivendo. Sem o medicamento especial Az Itioprina, fornecido pela SES, a alegria conquistada há 14 anos fica por um fio, porque só excepcionalmente pode comprar com o próprio dinheiro (há quem não consiga, em hipótese nenhuma). Resumo da ópera: não tomar a substância com a frequência necessária pode significar o suplício de se ver novamente dependedendo de máquinas de hemodiálise, isso depois de mais de uma década vivendo o sonho de não precisar delas. Se conseguir um transplante parece milagre em qualquer época, um novo também representa mais custos para o sobrecarregado orçamento da Saúde. Mas, independentemente da circunstância, não deveria ser a burocracia a se colocar como pedra no caminho dessas pessoas, sob a justificativa de que licitações para aquisição desses remédios são complexas ou que houve problemas de qualquer natureza com este ou aquele fornecedor. É que para o poder público tem sido muito mais simples tratar a morte apenas como uma ameaça distante do que vê-la como realidade líquida e certa.

Fonte: Diario de Pernambuco

Compartilhe:

Deixe um comentário

Fique por dentro

Notícias relacionadas