Nobel contra infecções e malária

ESTOCOLMO – O irlandês William Campbell, o japonês Satoshi Omura e a chinesa Youyou Tu foram anunciados ontem como os vencedores do Prêmio Nobel de Medicina pelo desenvolvimento de tratamentos contra infecções parasitárias e a malária.

Campbell e Omura foram recompensados em conjunto por seus trabalhos sobre um novo tratamento contra as infecções provocadas por vermes, enquanto Youyou Tu foi premiada por suas descobertas sobre uma nova terapia contra a malária, anunciou o júri do Nobel em Estocolmo.

“As doenças provocadas por parasitas têm sido um flagelo para a humanidade durante milhares de anos e são um problema de saúde global significativo”, afirmaram os integrantes do júri.

Para o Comitê Nobel, as enfermidades parasitárias afetam especialmente os mais pobres e representam um enorme obstáculo para melhorar a saúde e o bem-estar humano. “Os vencedores do Nobel este ano desenvolveram terapias que revolucionaram o tratamento de algumas das doenças parasitárias mais devastadoras”, destaca o Comitê Nobel do Instituto Karolinska.

“Estas terapias salvam vidas, previnem as deficiências e a propagação da infecção. E melhoram a vida, o bem-estar das pessoas e o crescimento econômico”, disse em uma entrevista no Twitter a presidente do júri, Juleen Zierath.

William C. Campbell, que trabalhou para companhias farmacêuticas privadas, e Satoshi Omura descobriram um novo medicamento, a Avermectina, cujos derivados reduziram drasticamente a prevalência da cegueira dos rios (oncocercose) e a filariose linfática.

Omura, 80 anos, havia conseguido isolar no Japão um tipo de bactéria, presente na terra, e William C. Campbell, nascido em 1930, estudou seus efeitos sobre os parasitas. A cooperação entre ambos permitiu a criação da Avermectina. “Aceito humildemente”, disse Campbell ao receber a notícia do prêmio.

Youyou Tu, 84, que tinha o nome cogitado há vários anos na Academia, desenvolveu um tratamento particularmente eficaz contra a malária com um extrato da planta Artemisia annua. Ela é a 12ª mulher a vencer o Nobel de Medicina e a primeira chinesa a receber a honraria.

Tu iniciou a pesquisa com a combinação de antigos textos médicos chineses e remédios populares. Ela coletou 2.000 remédios potenciais, a partir dos quais sua equipe produziu 380 extratos de plantas.

Um dos extratos da planta do absinto (Artemisia absinthium) mostrou que era promissor nos ratos. Inspirada em um texto antigo, Tu modificou o processo de extração da substância para que se tornasse mais efetiva antes de isolar, no início dos anos 70, o princípio ativo do absinto, ou seja, a artemisinina.

A artemisinina é o tratamento mais eficaz e seguro contra a malária, uma doença que afeta quase 200 milhões de pessoas por ano e mata mais de 500.000, principalmente crianças africanas.

Fonte: Jornal do Commercio

Compartilhe:

Deixe um comentário

Fique por dentro

Notícias relacionadas