A luta contra o câncer de mama, o mais comum entre as mulheres em todo o mundo, ganhou um novo aliado. Pesquisadores norte-americanos descobriram detalhes das células cancerígenas da mama, o que aumenta as chances de cura e permite tratar a doença com drogas mais específicas. O mapeamento total, porém, ainda não foi concluído. Em Pernambuco, a doença degenerativa matou 594 pessoas em 2010. Os números deste ano e do ano passado não estão consolidados. Ontem, uma pesquisa divulgada pelo Instituto Avon mostrou que 49% das mulheres nordestinas jamais fizeram o autoexame. No Brasil, esse índice diminui para 28%. O levantamento ouviu 1,7 mil mulheres e homens do país em três meses.
Através do mapeamento genético e da biologia molecular, os pesquisadores conseguiram cruzar informações até então desconhecidas. A nova classificação divide o câncer de mama em quatro tipos: luminal A, o mais comum, luminal B, basal e HER2 amplificado. Antes, o número de categorias era maior. Na prática, a mudança permite saber se o tipo de câncer da paciente é mais ou menos agressivo, ajudando a definir melhor o medicamento e até traçar estratégias para criar novos fármacos. Hoje, o tratamento se baseia no tamanho do tumor e no total de nódulos.
“A pesquisa é fantástica. Cada vez mais o tratamento não se resume à cirurgia e à quimioterapia. Nos Estados Unidos, uma droga está sendo testada no cambate ao tipo HER2 amplificado”, conta o presidente da regional pernambucana da Sociedade Brasileira de Mastologia, Darley Ferreira. Para o médico oncologista do Instituto Nacional do Câncer (Inca) Ronaldo Corrêa, o tratamento ficará mais caro com a descoberta. “Quanto mais o tratamento é individualizado, menos toxicidade é levada para a mulher, mas, por outro lado, o processo é encarecido, porque são necessárias drogas específicas para combater determinadas características”, resume.
Em Pernambuco, a proporção é de 46 novos casos da doença para cada 100 mil pessoas. No Brasil, a relação é de 52 doentes para o mesmo grupo. A proporção do estado é considerada alta, mas a situação é mais confortável do que a do país. Até o final do ano, o Secretaria Estadual de Saúde planeja ofertar a momografia para 100% do público. Hoje, a cobertura só alcança cerca de 50%. “É preciso atacar toda a linha do diagnóstico, da mamografia à biópsia”, completa o secretário de Saúde, Antônio Carlos Figueira. A nutricionista Luciana Pires, 68, escapou. Ela descobriu um tumor de oito milímetros no seio esquerdo num exame de rotina. Passou pelo tratamento e hoje vive normalmente. “Cuido do meu bem-estar, da minha alimentação. Dificilmente fico irritada. A informação é essencial no combate à doença”, completou.
SAIBA MAIS
o câncer de mama
O que é
É o resultado do crescimento descontrolado de algumas células do corpo, que começam a se multiplicar sem parar e formam um tumor maligno. Se a doença demora a ser descoberta e tratada, o tumor cresce e pode levar a pessoa à morte
Sintomas
– Alterações na pele, inclusive no mamilo
– Secreção no mamilo
– Surgimento de caroços no seio, acompanhados ou não de dor mamária
Prevenção
– Mamografia, que permite a detecção precoce
– Dieta equilibrada, evitando a obesidade
– Prática regular de exercícios
– O autoexame das mamas não é eficiente para a detecção precoce e não contribui para a redução da mortalidade
Podem estar predispostas a ter a doença
– As mulheres que usaram contraceptivos orais com muito estrogênio, um tipo de hormônio feminino
– Utilizaram anticoncepcional em idade precoce
– Menstruaram antes dos 12 anos
– Engravidaram pela primeira vez depois dos 30 anos
– Tiveram menopausa tardia (após os 55 anos)
– Fizeram reposição hormonal pós-menopausa por mais de cinco anos
os números da pesquisa Avon
O que impede a mamografia
50% temem descobrir alguma doença
21% têm vergonha
12% disseram que o exame machuca
7% falaram que não precisam da mamografia
5% não demonstraram interesse
5% afirmaram não ter tempo
4% não fizeram porque não têm histórico na família
3% por preguiça
6% não sabem ou não responderam
9% outros motivos
O que levaria a mulher a fazer a mamografia
76% por indicação médica
13% devido a alterações nos exames
5% se houvesse campanhas regulares apontando a necessidade do exame
5% se existissem casos de câncer de mama na família
3% para prevenir a doença
2% outros
5% não responderam
Após a cura
56% se disseram vencedoras
17% falaram que estão mais fortes para lidar com novas situações
16% se sentem mais evoluídas espiritualmente
6% estão vendo a vida de forma mais positiva
3% continuam a mesma pessoa
2% estão mais fragilizadas
1% está socialmente isolado
Fontes: Inca e levantamento Avon/Diario de Pernambuco



